domingo, 4 de abril de 2010

Em Defesa da Teologia da Prosperidade (2ªparte)

O nosso registo no meio cristão evangélico é essencialmente bíblico, ou seja, qualquer premissa que possa ter suporte escrituristico consolidado, considera-se teologicamente aceitável.

Uma teologia da prosperidade, só pode ter qualquer suporte válido, se encontrar por toda a Bíblia, uma directriz contínua que desenvolva uma ideia forte de um propósito divino para as pessoas que correspondam aos requisitos necessários para a sua realização.

Talvez o título que é atribuído ao pressuposto não seja o ideal; por exemplo: Cremos no amor inquestionável de Deus em relação à humanidade, mas não usamos a expressão: Teologia do Amor – se calhar devíamos, mas não o fazemos – assim como a outros pressupostos bem clarificados de teologia cristã.

Esta expressão assumiu uma carga negativa, na reacção a uma escola teológica surgida em meados do século passado, principalmente entre os carismáticos – área evangélica onde possuo raízes formativas importantes – que acentua a possibilidade de ultrapassar condicionalismos de todo o género, incluindo o aspecto económico.

Talvez hoje, com alguma distância, não nos apercebamos, como a carga negativa em relação a posses, consumismo e bem-estar económico; eram vistos como algo pejorativo e a ser rejeitado por todos os “espirituais”, principalmente aos que serviam no ministério.

Conheci muitos filhos de pastores e obreiros evangélicos, como os quais confraternizei, e não esqueço as mágoas, revolta e dor com que alguns viveram, impedidos de desfrutarem uma adolescência e juventude saudável, por dois motivos principais: Tinham de ser exemplo para todos na igreja – o que era normal para os outros filhos, era-lhes impedido, sem qualquer justificação, a não ser o facto de os pais servirem como pastores.

A segunda razão, grave em muitos casos, foram as necessidades que tiveram de passar por causa da infidelidade dos membros da igreja onde estavam, e, pior, o conceito errado que para servir a Deus era necessário passarem necessidades.

Com mágoa e tristeza ouvi relatos impressionantes de jovens que lhes foi impedido uma alimentação correcta, brinquedos comuns e até o simples entretenimento, como era o caso da televisão, por ser pecado – como cheguei a ouvir num cântico brasileiro “o olho do diabo”.

Claro está que, a reacção não pode ser justificada em si mesmo, ou seja, não é por haver perspectivas erradas que construímos uma teologia incorrecta.

Penso ser de senso comum e aceitável a todos não haver qualquer dúvida ser o desejo de Deus que possamos prosperar, não quero maçar com elevado número de textos onde essa ideia ganha forma continuada que consubstancia o conceito.

Peguemos por exemplo no discurso divino na escolha e mandato para Josué assumir o seu papel substituto de Moisés na concretização da tarefa de levar o povo hebreu à herança prometida.

Js.1.8 “Não se aparte da tua boca o livro desta lei (Torah); medita nele dia e noite, para que tenhas o cuidado em fazer conforme tudo o que nele está escrito. Então farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido”

Este versículo usa uma das cinco palavras hebraicas que é traduzida para a nossa língua por prosperidade: “Tsälëach” que, de acordo com o dicionário Hebraico Strong; é a raiz primitiva para empurrar com força (em vários sentidos), quebrar, passar por cima, ser bom ou ser rentável.

Deus, após a morte de Moisés – uma perda irreparável para muitos – tem esta “conversa” com Josué, no intuito de lhe transmitir confiança para a tarefa árdua, mas possível, que estava à sua frente.

É dentro deste âmbito de perspectiva que a prosperidade se encaixa como uma luva, ou seja, Deus a procurar incentivar o seu servo para a tarefa que lhe propõem.

Prosperidade não é uma mera questão de possuir mais ou menos riqueza. Acho que algumas pessoas que se levantam contra este conceito - para mim bíblico - apenas o fazem porque olham para esta condição na perspectiva económico-financeira, mas, “empurrar com força” para um cargo e uma responsabilidade, que poderia ser assustadora para o novo líder desta tão grande nação, é uma demonstração de confiança de quem fez a escolha e nomeou o líder: Deus.

Animar Josué para a tarefa, prometendo que o faria prosperar no caminho (cargo/função) que agora iniciava, não era fácil nem líquido; Josué havia passado de “moço de recados” de Moisés, para o líder máximo de um povo que procurava encontrar um lar de descanso – todos sabemos como é difícil e controverso quando se está num processo nómada e sem destino.

Josué tinha agora sobre os seus ombros uma tarefa gigantesca que envolvia continuidade e originalidade – continuidade pela tarefa iniciada por outro; e originalidade por ter formas e meios diferenciados dos anteriores; além de uma nova realidade: Agora iriam passar de vez o Jordão.

Este exemplo de Josué, é um ponto de partida para o conceito e a teologia que pretendo defender nestas reflexões.

Creio ser da vontade divina que os seus filhos, nas tarefas que são investidos possam prosperar em tudo e ser bem-sucedidos, não encontro dificuldade em aceitar que Deus deseja a nossa prosperidade, não para amealhar algum dinheiro, mas para dar sentido à existência e propósito na vida.

Não rejeito o conceito da teologia da prosperidade, que para mim tem fundamento bíblico, só porque alguns – infelizmente demais – usam o epíteto para um mau uso e interesse pessoal.

Este foi mais um contributo regular sobre o que penso a respeito da “Teologia da Prosperidade”

Bem-haja

João Pedro Robalo