terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Deus não está ensaiando...

Hermes C. Fernandes

Foi o Criador quem disse: “Eu anuncio o fim desde o princípio”! Jamais entenderemos o fim, sem compreendermos o princípio de tudo. Tudo está conectado. Tudo faz sentido.

Toda a confusão que se faz em torno da escatologia, se deve à negligência quanto ao início de tudo.

Por que tantos defendem que o mundo caminha para uma destruição iminente? Porque não atentaram para a avaliação que Deus fez da Sua obra.

A criação não é um rascunho. Ela é a obra-prima de Deus.

De acordo com a narrativa de Gênesis, a cada etapa da criação, Deus avaliava Sua obra. Depois de avaliar como boas todas as coisas que criara, Deus emitiu a avaliação final: “Viu Deus tudo o que tinha feito, e que era MUITO BOM” (Gn.1:31). Podemos substituir o “muito bom” por “excelente”. Foi essa a nota que o Criador deu ao conjunto de Sua obra.

Quem insiste com a idéia de que Deus vai destruir este Universo, para criar um melhor, incorre no erro de achar que Deus possa superar a Si mesmo. As Escrituras não dizem que Deus pretende fazer tudo de novo, e sim que Ele fará novas todas as coisas. “Tudo novo” não significa “tudo de novo”. Não se trata de uma nova criação que emirja do nada, mas de uma renovação de todas as coisas. Por isso, podemos afirmar que Deus é o autor da reciclagem. Ele não vai descartar Sua obra, mas reciclá-la por completo.

Nosso Universo não é um laboratório, e tampouco somos cobaias de um deus ainda em formação acadêmica. Ele não está ensaiando a peça, mas a está encenando. Nosso Universo não é um ensaio, é o espetáculo.

Este mundo não é uma experiência, nem uma obra inacabada. “Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados” (Gn.2:1). O gênero humano foi, por assim dizer, a pincelada final da criação.

E a criação tem um propósito específico. Ela não é um acidente cósmico, e nem surgiu espontaneamente. “Tudo foi criado por ele e para ele” (Cl.1:16b). Por isso Jesus é introduzido em Apocalipse como o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o ponto de partida e a linha de chegada de toda a criação. Tudo converge n’Ele!

Ninguém consegue montar um quebra-cabeça, sem ter um modelo com a imagem que se quer alcançar. Cristo é “a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Cl.1:15). Ele é a imagem que emerge do mosaico da criação.

Ele é o protótipo, o modelo usado por Deus para criar tudo o que há. Por isso se diz que Ele é o princípio da criação. Ele é a imagem que Deus vê refletida em um Universo que Lhe serve de espelho.

Em Cristo, todas as peças do quebra-cabeça da criação se encaixam perfeitamente. Através d’Ele a criação pode refletir a glória do Seu Criador. N’Ele, o Deus invisível revela o Seu rosto. Nas palavras de Paulo, “os atributos invisíveis de Deus, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que foram criadas” (Rm.1:20a). Tudo fica muito nítido e claro, quando miramos a criação devidamente conectada em Cristo. N’Ele tudo se harmoniza perfeitamente.

Se Deus é o Autor da peça, Cristo é o Protagonista, a Criação é o cenário, o Espírito Santo é o Holofote, e nós somos a platéia.

Retirado do “Site” www.genizahvirtual.com

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Iluminações de Galileu e dos Mágos

Hoje, 7 de Janeiro, celebra o 400 centenário do salto científico dado por Galileu no registo dos satélites de Júpiter, iniciando assim uma nova abordagem cientifica, que se emancipou.

Também nesta data, o mundo cristão ortodoxo celebra o Natal, com a chegada dos magos para adorar o Rei Messias, nascido em Belém, Jesus.
A Igreja Ortodoxa, fá-lo, seguindo o calendário Juliano, o que, é interessante, pois apesar da diferença dos dois calendários, não colocam assim tão distante o nascimento do Salvador.

Ambos os casos - galileu e a visita dos magos - são claramente actos de iluminação que, trouxeram progressos inegáveis à humanidade. Uns, no campo científico, outros no campo do "Ser", do homem perdido, desgarrado, sem conhecer o seu Salvador.

Registo a coincidência das datas, apesar de distanciadas por séculos, ambas trouxeram clarividência a quem soube observar e tirar conclusões objectivas sobre o que via.

Hoje precisamos, tal como nas efemérides, saber distinguir o supérfluo do essencial. Saber fazer a distinção entre o que é importante e o que não merece sequer consideração ou desperdício de tempo e energias.
Esta "dissecação" fará a diferença entre; viver no tempo e para o tempo, em vez de desajustados inadaptados - como tal inoperantes - acumulando frustrações não processadas que resultam em desajuste total.

Os mágicos, seguiram uma estrela (alinhamento de planetas) que os levou a sair do seu conforto e partir para o desconhecido. Não eram 3, muito menos Reis, nem sequer vinham de lugares diferentes; mas conseguiram na astrologia, tal como Galileu, encontrar a iluminação que os levou a buscar algo que desconheciam, mas criam ser possível encontrar.

O Espírito Santo, prometido por Jesus como nosso guia em toda a verdade, continua a desafiar-nos a sair do lugar de conforto e apático, para a dependência constante da sua direcção e vontade, expressas na revelação bíblica, sem tabus nem preconceitos, para uma dimensão de vida iluminada que nos faz atenticos e relevantes nos dias actuais.

A marca de Galileu para a emancipação da ciência moderna, assim como os magos - talvez de onde menos se esperava, não teólogos, nem religiosos, mas astrólogos - abriram novos horizontes de conhecimento a serem considerados, para o progresso e desenvolvimento da humanidade.

Quando um cristão se predispõe a sair do marasmo quotidiano previsível para o desafio do estabelecido - até nas redes sociais encontramos o comummente aceito - desafiando as frases feitas, as maledicências modernas, as utopias esvaziadas de conteúdo, ou até as revoluções recicladas; para, a iluminação de algo que causa preplecção, como os casos referidos - ambos em palácios - poderemos ser incompreendidos, mas estaremos no bom caminho, naquela iluminação que produzirá mudança profunda, nas vidas reais das pessoas.

Um profeta não é quem denuncia, mas quem aponta um caminho a seguir. Vê o que está errado, desajustado, mal realizado, incompleto, e, revela o caminho a seguir, a solução a aplicar ou pelo menos como sair da apatia e indiferença instaladas.

Galileu, ofereceu uma nova metodologia do conhecimento, os mágicos do oriente adoraram o salvador no meio da indiferença do povo da aliança perante o seu Messias e Salvador.

Os que adquirem iluminação num determinado tempo - mesmo que incompreendidos e rejeitados - deixam um legado que é seguido nas gerações seguintes.

Bem-haja

João Pedro Robalo

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Porque Festejo o Natal!

Sempre que nos aproxima-mos desta quadra, surgem as teorias de conspiração sobre tudo o que rodeiam as celebrações, os símbolos que a identificam e como foi construída toda a festa ao redor da celebração.
A data escolhida colhe a maioria das criticas, além da comercialização ao redor da festa, assim como a perda do significado do natal, ao ponto de haver quem acuse de celebrar o "aniversário" de Jesus, como se fosse isso que estivesse em causa.

Escrevo esta pequena reflexão, porque é da parte da nossa área cristã, de onde surgem as criticas mais ferozes e injustas à celebração do Natal.

Não posso deixar de concordar que alguma parte da mensagem principal do Natal, perdeu-se; melhor dizendo, esbateu-se perante outras figuras e símbolos comerciais, que o interesse económico impôs.
No, entanto, não são os exageros ou erros que me farão desviar da responsabilidade cristã em festejar uma das mais importantes datas do cristianismo.

A ÁRVORE
Uma das criticas que mais surge, o uso da árvore da natal como símbolo, atrai uma parafernália de suspeições e disparates.
Não vou discutir a possibilidade de origens pagãs que alguns invocam, não que consigam relacionar com o nosso uso do pinheiro de natal, mas relembrar que, segundo a tradição, foi o gigante da reforma Martinho Lutero que, pela primeira vez trouxe para o seu lar um ramo de abeto o enfeitou com velas e papeis coloridos para celebrar em família a data do nascimento de Jesus.
Se conseguirem ligar Lutero a qualquer prática de paganismo ou idolatria, então talvez possamos olhar para o pinheiro de natal desse prisma.
Claro está que para alguns Lutero foi apenas um sujeito que deu uma "mãozinha" para nos emanciparmos do catolicismo doentio em que a cristandade havia caído.

Para reforçar, convido os meus amigos estudiosos da Bíblia, a verificarem quantos encontros com seres celestiais os patriarcas tiveram debaixo de árvores, onde em alguns casos assumiam um significado simbólico de lugar de adoração do verdadeiro Deus.
Como vêem, não precisamos ir às práticas pagãs para encontrar similaridade em alguns símbolos que hoje adoptamos.

OS PRESENTES
A troca de presentes, para alguns, também tem origem em todas as religiões pagãs, menos na Bíblia. Dá vontade perguntar se quem afirma tal lê as Sagradas Escrituras.
Não me vou refugiar no facto dos mágicos vindos do oriente o fazerem - não eram três, nem Reis e não surgiram na noite do nascimento do Salvador - mas oferecer presentes e troca simultânea, era uma prática judaica em certas festividades, as quais ainda hoje algumas delas são mantidas.
Esdras e Neemias incentivaram o povo que se encontrava em lágrimas e profunda comoção, para celebrarem o dia do Senhor com alegria e festa, enviando porções a quem não tinha nada para o fazer.

Se acham hipócrita esta reciprocidade egoísta de troca de presentes - por vezes é - está nas mãos de cada um a oportunidade de fazer diferente. Envie algo a quem nada tem, convide alguém para se juntar a si, construa algo diferente neste natal.

A DATA
A data é talvez o aspecto mais controverso a respeito do nascimento de Jesus. Aprendi desde cedo que esta não seria a data mais apropriada para o fazer, porque seria impossível Jesus ter nascido neste período do ano. (Os pastores estavam no campo, que inviabilizaria a possibilidade de Dezembro)
Não posso garantir que a escolha da data seja inocente, mas não pelas causas que alguns advogam.
Temos uma prática cristã bem enraizada de tomar datas, lugares e símbolos de religiões e cultos pagãos, não para sincretismo, mas demonstrar a superioridade do Deus que adoravam.

Acontece que, de onde menos se esperava surgem agora dados que podem oferecer à data possibilidade verosímil.
O professor S. Talmon da Universidade de Jerusalém, baseado em documentos encontrados em Qumran, conseguiu precisar as 24 ordens cronológicas das classes sacerdotais.
A de Abias é que nos interessa, porque com esta ajuda sabemos que o pai de João Baptista, Zacarias, terá servido no templo entre 23 a 25 de Setembro.
Este anuncio da concepção de Isabel que, de acordo com o Evg. de Lucas, nos oferece a precisão cronológica difereniada em seis meses em relação à concepção de Maria, o que aponta o nascimento de Jesus para o mês de Dezembro.

CELEBRAR O NATAL
Seguindo o significado etimológico da palavra natal temos o que celebramos nesta data: O nascimento do Salvador.
Não é um aniversário, mas a celebração da vinda à terra em forma milagrosa e única - como Kaesman refere; irrepetível - do Verbo que encarnou, para nos salvar.

Deus não podia deixar que este evento fosse deixado ao acaso, por isso, os anjos - em número elevado - visitam os pastores e os convidam a juntar-se aos pais jovens naquela noite.
Não sei se isto lhe é relevante, mas Deus organizar esta festa e alarido, não foi de certo um equívoco ou inocente.
A mim é suficiente para escolher alguma data do ano e lembrar que, em dado momento crucial da História o céu invadiu a terra, ainda que de forma frágil e humilde, alterando para sempre o curso da mesma.

"Glória a Deus nas maiores alturas, paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem" Lc.2.14

Posso celebrar o nascimento de Jesus em qualquer altura do ano, mas se à tradição juntar a possibilidade de ser no momento certo, ainda melhor.
Celebrar o natal é celebrar a boa vontade divina que resulta em esperança para a humanidade.


Que me desculpem todos os detractores da festa do natal - aqueles que tentam desvalorizar esta celebração universal, ou os que despem de sentido o significado do mesmo com consumismos descontrolados - mas neste natal, ainda por cima à espera de mais um membro para a família, vou festejar com alegria e com toda a gratidão pela dádiva de Deus ao mundo.

Continuo, e continuarei a celebrar esta quadra com consciência do seu real e verdadeiro valor: A salvação chegou até nós, "porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu..." Is.9.6

Bem-haja

João Pedro Robalo

sábado, 5 de dezembro de 2009

O Clima, o Aquecimento Global e a Terra.

O tema aquecimento global que, será debatido estes dias em Copenhaga, Dinamarca, pelos principais líderes mundiais; surge, como um dos principais problemas que qualquer cidadão do mundo considera como preocupante e fulcral para o futuro da humanidade.

Apesar do que é referido na comunicação social, ensinado nas escolas e defendido pelas organizações ecologistas, a verdade é que, a comunidade cientifica não consegue chegar a uma conclusão; principalmente em dois pontos essências: Se o aquecimento é realmente global e se isso se deve à acção humana.

Sei que esta perspectiva causará um coro de protestos, mas não sei se o será por boa informação, ou por intoxicação da comunicação social. Não tenho qualquer dúvida que há uma "agenda" que os "Mídia" desenvolvem, por isso o que escutamos nem sempre é tão livre nem sequer ingénuo.
Não pretendo discutir aqui esta diferença de perspectivas que dividem a comunidade cientifica, remeto-vos para um bom artigo do Pr. Mal Fletcher (www.nextwaveonline.com/comment.asp?ID=265)

A minha abordagem é teológica e sobre tudo escatológicamente confiante.
Apesar de o homem ser irresponsável em muitos aspectos, sei que a Terra não lhe foi entregue, nem tem capacidade para decidir ou determinar o futuro deste planeta.

"A Terra é do Senhor..." Dt.10.14; Sl.24.1; 1ªCo.10.26
É teologicamente errado, ensinar que, pela queda de Adão a terra foi entregue ao diabo, o que se revela uma impossibilidade, pois Deus nunca a havia entregue ao homem.
A única coisa que o diabo adquiriu foi o domínio que, pelo pecado o homem transferiu para Satanás essa função, mas, a qual, o último Adão (Cristo), através da cruz recuperou essa autoridade perdida, para a exercer como Cabeça da igreja em domínio na sua posição à direita de Deus.

Outro aspecto importante de uma escatologia confiante, é a consciência da responsabilidade ecológica que os cristãos têm no mundo, para uma restauração completa de tudo, que é também uma expectativa da própria criação. (Rm.8.21)
Não só nos é restituída a condição de comunhão plena com Deus, tal como tínhamos no Jardim do Éden, como nos é oferecido em Cristo a possibilidade de domínio sobre a criação, não para a sua destruição, mas preservação e restauração. Sl.37.11 "Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na sua abundância de paz"

A minha abordagem a este assunto ecológico e de sobrevivência, não é científico, racionalista ou humanista, mas teológico. É crer em esperança contra a esperança; aquilo que vulgarmente chamamos fé, aquela que o nosso pai Abraão teve e devemos imitar.

Sei que o homem é egoísta, avarento, ambicioso de forma desmedida, etc., mas, também sei, e creio, na providência divina, na garantia Deus não se demitir da sua função de preservar e cuidar da criação estabelecida, do seu domínio que se estende de geração em geração e principalmente cuidar da sua obra mais importante, a terra, onde foi executado o plano restaurador de todas as coisas que conhecemos e desconhecemos através da encarnação do Verbo, da sua morte expiatória e da sua ressurreição que estabelece o vínculo da vitória.

O plano de Deus, não passa pela destruição do planeta terra, mas pela sua preservação e restauração - aliás se o contrário acontecesse a sua vitória sobre Satanás não seria completa.

Como cristãos devemos estar na linha da frente na preservação, conservação e respeito ecológico, num desenvolvimento sustentado, pois, somos apenas mordomos, não donos, da maravilha da criação divina; o planeta terra. Aliás uma das minhas canções preferidas é: "What a Wonderful World" de Louis Armstrong.

A minha perspectiva perante o futuro é de confiança, não tanto pelo que o homem pode ou não fazer, mas porque Deus não permitirá que entremos num descalabro descontrolável de destruição planetária.
Com isto, não deixo de responsabilizar e pressionar quem exerce poder para tomar decisões politico-económicas sustentadas na preservação do nosso mundo.

Como cristão faço a minha parte, quer tendo comportamentos ecológicos, quer confiando em Deus para o futuro deste belo planeta.

Bem-haja

João Pedro

sábado, 7 de novembro de 2009

A Figura do Anticristo

Esta semana a República Checa, assinou o Tratado de Lisboa, que abre caminho para a implementação do mesmo, que origina, entre outras novidades, a criação de uma nova figura; o Ministro dos Negócios Estrangeiros da UE.

Com a criação desta figura, por enquanto sem personagem definida, apesar dos "jogos" de bastidores que já se perfilam, vamos de certo, assistir a uma clivagem, ou, pelo menos, derivação das tentativas falhadas em apontar uma figura pública com a terrível personagem bíblica do anticristo.

Até aqui, ainda na ressaca da perda das últimas eleições, muitos apontaram o novo Presidente dos EUA, Barack Obama, como a tal figura mítica.
Os artigos, vídeos, pregações e comentários - pobres de conteúdo, e falaciosos na Hermenêutica - encheram a Internet, Sites, Blogs, comunicação social religiosa, etc.

Com o surgimento deste cargo - que será uma aventura europeia - ainda sem contornos bem definidos, a tendência será para procurar, vasculhar e "dissecar" até à exaustão, todos os "sinais" ou semelhanças que o candidato apresentar, em relação a uma figura composta que, erradamente alguns sectores do cristianismo evangélico, continuam a tentar construir e sobretudo aguardam.

Esta postura que tem perseguido o pensamento e "práxis" cristãs, ao longo de décadas e demasiadas gerações, revela uma pobreza de conteúdo teológico, que acaba com esta triste realidade de ver uma igreja a aguardar uma figura inventada - o anticristo - em vez de esperar, isso sim, o Senhor que um dia virá para governar e completar a História.

Antevendo o espectáculo que se vai montar, proponho uma leitura simples e clara da Bíblia. Temos defendido tanto a Revelação escrita do Deus Judaico-cristão, ao ataque que Saramago encetou, que, apenas proponho uma simples leitura dos textos que falam desta figura que tem assustado tantos ao longo dos tempos.

Não coloco aqui os versículos exactos que nomeiam este substantivo: O anticristo.
Mas, como os únicos textos que falam desta personagem apenas surgem nas cartas do Apóstolo João, qualquer um de nós poderá fazer uma leitura rápida, contextualizada e sem pressuposto errados em poucos minutos.

Se nos cingirmos ao texto do Apóstolo, várias conclusões são possíveis que oferecem uma clarificação objectiva e clara sobre esta figura tão erradamente temida.

Uma exegese minimamente credível, consegue chegar a algumas conclusões objectivas:

1º Não é um, mas muitos anticristos.

2º Não é apontado para um futuro longincuo, mas era uma realidade presente nos dias do Apóstolo.

3º Estavam relacionados com a igreja, e, por razões várias apostaram na fé.

4º Não é uma figura personificada, mas um espírito do erro que domina pessoas em verdades fundamentais da fé cristã.

5º Uma doutrina do erro que nega a essência da cristandade e da revelação de Deus na História, negando, a encarnação de Jesus como o Cristo; o Messias prometido que veio salvar a humanidade reconciliando-a com o Pai.

Se não se procurar criar uma figura composta, com outros textos bíblicos que não usam o termo "anticristo", são estas as conclusões que se podem tirar, sem qualquer dificuldade nem sofismas.

A Bíblia, como palavra de Deus, merece que não vamos além do texto, nem fiquemos aquém, apenas, que se deixe falar o que o próprio por si próprio.

A Bíblia continua a falar, mesmo quando os ataques vêm de fora, como de dentro, aliás, são mais prejudicais as más interpretações e imaginações teologicamente infundadas, que os ataques que os ateus ou mesmo pseudo-ateus fazem às Escrituras.

Uma igreja que se distrai com inimigos fantasmas, perde eficácia, relevância e importância na sua missão principal: Fazer discípulos de todas as nações.

Não estou à espera de um anticristo qualquer, mas do verdadeiro que se deve esperar. O Cristo!

2ªTm.4.8 "Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas a todos os que amarem a sua vinda"

Eu amo e aguardo a Sua vinda, não a de outra figura qualquer.

Bem-haja

domingo, 25 de outubro de 2009

As Escolhas de Deus

Com toda a polémica que o escritor prémio Nobel da Literatura, José Saramago, suscitou à volta da Bíblia e do Deus que ela revela, muitos comentários, alguns aceitáveis, outros sem qualquer justificação, foram feitos.

Não ando ao sabor de agendas alheias sobre os temas a trazer à igreja na Figueira da Foz, mas também não estou alheado de tudo o que tem surgido ao redor, muito menos o que se insere no âmbito bíblico-cristão.

Não posso deixar de fornecer aos cristãos que estou responsável, as respostas - quando as tenho - sobre os temas problemáticos ou fracturantes que são levantados no quotidiano.
Este tema que José Saramago levantou - Caim e a escolha feita por Deus na oferta que os dois irmãos apresentaram - não pode ser ignorado pela comunidade cristã, muito menos reactivos de forma militante, mas, o esclarecimento, e sobretudo, deixar a Bíblia fornecer as respostas, deve ser a nossa postura coerente com as "provocações" que foram feitas.

Na sexta falei do relato que o autor se baseou, Génesis 4, mas enriquecido com todo os comentários que a Bíblia fornece. Não há um preferência divina tendenciosa sem uma causa.

No domingo, falei das escolhas de Deus. Estão mais nas nossas mãos, do que imaginamos, as causas e os factores que levam Deus a direccionar a sua atenção sobre nós.

Fé, voluntariedade e amizade; são características que devem existir em nós.
Deus não busca super-homens, mas pessoas que em situações de crise revelem fé, atitude voluntária e sobretudo amizade que gera confiança.

Consultem a nossa página na Internet: www.figueiraccva.org, para o desenvolvimento do assunto.

Bem-haja

João Pedro Robalo

sábado, 10 de outubro de 2009

O Prémio Nobel Da Paz

Tem causado alguma perplexidade e assombro a atribuição do prémio Nobel da Paz ao presidente dos EUA Obama.

Também eu fui apanhado de surpresa e considero que haja alguma precipitação nesta atribuição pelo júri do prémio.
No, entanto, os argumentos e preconceitos generalizados deixam no ar que, é possível, ainda não ter sido digerido ou ultrapassado o choque pela eleição de um Afro-americano para o mais alto cargo dos EUA.

Uns optam por considerar que é prematuro por ainda nada ter sido feito pelo actual presidente americano, mas, uma rápida observação geopolítica, pode-se verificar que, estamos perante um novo tempo no diálogo diplomático, perante uma nova possibilidade de desarmamento nuclear e que se lida com coragem e frontalidade com a questão mais sensível da geopolítica: O caso Israel-palestiniano.

Este é um aspecto em que nos cristãos, principalmente os evangélicos neo-pentecostais, assumem uma papel fundamentalista - tão criticado quando perpetrado pelo outro lado da trincheira - que só demonstra que, ainda não venceram um dos problemas que Tiago na sua carta apontou, como influencia diabólica e destrutiva da essência cristã: O sentimento faccioso! «Tg.3.14-16»

Este assunto leva-nos para outra questão, que me parece ser a causa da má vontade que os comentários "evangélicos" têm sido pródigos - tenho ouvido dos mais variados disparates, que me escuso comentar.
Se achamos, e bem que, Ahmadinejad tem um discurso fundamentalista, negando o Holocausto e fomentando o ódio contra os judeus; não podemos aceitar que os cristãos possuam um discurso inverso - em termos de trincheira - mas idêntico, ao achar que, a solução é exterminar ou expulsar os palestinianos da sua terra.

Aquela terra em termos Bíblicos, históricos, sócio-antropológicos e legais, não é de um dos povos em detrimento do outro.
Sei que estou acorrer um risco, porque na noção evangélica do conflito, qualquer "bom cristão" é do lado dos judeus e anti-palestiniano. É em certo sentido o ressurgimento do conceito do "eixo-do-mal".

A paz mundial - na minha perspectiva - passa pela expansão do reino de Deus; "justiça, paz e alegria no Espírito Santo" mas, para além deste pressuposto do cumprimento da missão da igreja na terra; considero que, em termos geo-políticos e estratégicos, o conflito Israel-Palestino é fundamental para o apaziguar de muitos conflitos culturais no Globo.

Considero por isso, que, Obama ao chamar à atenção o governo israelita, para alterar a sua política de expansão territorial, principalmente os colonatos da Cis-Jordânia e Faixa de Gaza, contribui para apaziguar em vez de acicatar ódios e muros tão enraizados entre estes dois povos.

Esta postura não lhe tira qualquer legitimidade para usar o poder e a força que possui, quando os abusos são cometidos de qualquer parte.
A paz não se constrói só com boas intenções, a força, quando necessária e justa, pode e deve ser empregada, para o bem comum.

Há uma distinção clara entre ser um pacificador e um pacifista. Jesus, chamou-nos a sermos pacificadores.
Os cristãos deviam incentivar todo o discurso político e acções pacificadores que promovam igualdade entre os povos e que diminuam as assimetrias sócio-económicas, bem como os direitos humanos, para a promoção de uma mundo mais justo, pacífico e com melhor qualidade de vida.

Também posso considerar prematuro a atribuição do prémio, mas não me choca, como vi entre muitos cristãos evangélicos, alguns perderam mesmo a cabeça nos comentários que fizeram.

Como a Bíblia ensina, oro pela paz em Jerusalém e também na Babilónia.

Bem-haja

João Pedro Robalo