quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Mães de Oração

Ao ler "As Confissões" de St. Agostinho, deparo com a afirmação atribuída ao Bispo de Cartago: "Vai em paz e continua a viver assim, porque é impossível que pereça o filho de tantas lágrimas."

Com este consolo, Mónica, a mãe de Agostinho, partiu para a sua continua tarefa de orar e sempre alertar o seu filho, para que, a situação dramática em que se encontrava, sofresse uma alteração profunda, o que, veio a suceder, como o próprio confessou.

Mães precisam-se, mas, das que, com fé, oração e dedicação; tudo fazem para contribuir de forma construtiva, para que os seus filhos de alguma maneira, no trajecto da vida, encontrem o propósito eterno pelo qual nasceram e existem.

Muitas vezes com amargura e dor, encontramos mães, sem saber o que fazer, e, como lidar com a rebeldia, incorrecção ou desfoque, em que os filhos se encontram.
Se não houver fé, se não existir esperança, nem qualquer âncora de segurança; qualquer mãe entra em agonia e desespero, perante as situações que todos os filhos em algum momento do seu caminho se envolvem.

Hoje, as mães, contentam-se com a satisfação materialista dos filhos, na base dos bens, imagem e condições para que tenham uma vida facilitada em todos os sentidos.
Contribuir para que os filhos possuam bens que os promovam socialmente, que frequentem os melhores meios para serem bem sucedidos e que, nada lhes falte para serem reconhecidos como actuais e modernos; é tudo, o que os progenitores e educadores consideram ser responsabilidade sua.

Mais que uma prestação de serviços parental, hoje, mães que oram, choram diante de Deus e ensinam os princípios cristãos, são necessárias.
Ana, a mãe de Samuel, com amargura do seu coração, encontrou no tabernáculo e no Sacerdote Éli, as palavras e o consolo que resultaram no milagre desejado.

Para as mães, que por alguma razão se encontram numa situação preocupante ou aflitiva, saibam que as vossas lágrimas derramadas diante de Deus, encontram eco e resposta para solucionar o que parece impossível humanamente.

Os filhos, de mães cristãs, mesmo não sabendo, são privilegiados, porque para além do amor materno natural, a fé e lágrimas derramadas, são ouvidas por quem dirige todas as coisas, e, que consegue concertar tudo: Deus!

Esperança e confiança, são o que caracterizam as mães cristãs na sua plena certeza que, os seus filhos não são gerados para a perdição, mas para cumprirem o propósito traçado por Deus.

Tenhamos fé, mesmo quando as lágrimas são a realidade do dia a dia; a oração que se sente é escutada, e, tal como o Bispo de Cartago disse: É impossível não ser respondida.

Bem-hajam

João Pedro Robalo

Nota: A minha referência ás mães, deve-se ao relato referido por St. Agostinho, porque considero, como é óbvio, que esta responsabilidade é mútua do casal, não só de um dos cônjuges.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O Legado de Gideão

Esta figura Bíblica, nomeada entre os heróis da fé, Gideão, oferece-nos algumas características para lidar e vencer crises que, tal como ele enfrentou, hoje, nós estamos a passar por situações que tem características idênticas.

Por exemplo: A economia estava de rastos, os midianitas pelo poder militar que possuíam, usurpavam todo o esforço laboral do povo hebraico.
Quando o povo clama a Deus no meio desta situação, Deus envia-lhes um profeta que lhes explica a causa da situação em que se encontram. Jz.6.10 "...Mas não deste ouvidos à minha voz."

É perante esta situação que surge a figura Gideão; o Anjo do Senhor encontra-o a resistir contra a situação catastrófica numa atitude inconformada, a tentar manter o fruto do seu trabalho contra as investidas dos inimigos.

A voz profética havia surgido na nação para mostrar a causa dos problemas em que se encontravam, agora, era necessário fazer algo que os tirasse do fosso em que se encontravam.

Como? Normalmente o esperado seria uma estratégia e plano para sair da crise; esta é a postura que todos desejam e costumam ter.
Deus não age assim, porque não deseja apenas fazer sair da crise, mas capacitar-nos para vivermos de forma superior a qualquer crise que surja.

Por esta razão Deus começa a tratar coma pessoa; o Gideão, o homem que tem receios, péssima auto-imagem e sobretudo muitas dúvidas, daí os sinais pedidos.
Convém realçar que o apelo tão actual a sinais como o fez Gideão, não é um acto de fé nem uma elevação espiritual, antes pelo contrário, é uma assumpção de fraqueza e perda do hábito natural de ouvir e conhecer a voz de Deus.

Todo o capítulo 6 de Juízes mostra Deus a tratar com uma pessoa valorosa, cheia de potencialidade, um líder nato, mas que devido à situação espiritual em que o povo se encontra, Deus é apenas uma memória distante e recordação dos grandes actos divinos do passado.

Não se pode vencer crises sem deixar que o Espírito Santo trate connosco.
Na verdade as crises, são a consequência da crise interna em que as pessoas se encontram espiritual e humanamente.

Só assim se compreende que Gideão tivesse em sua casa um santuário as dois deuses mais devastadores e desumanos da história daquela região.

Crises vencem-se colocando em ordem a nossa relação com Deus e removendo com tudo o que impede a boa sintonia nesta relação.
Quando estamos bem com Deus e connosco próprios - para mim uma coisa garante a outra - temos as ferramentas, meios, estratégias e capacidade para vencer qualquer crise.

Bem-haja

João Pedro Robalo

P.S. Para mais informação consulte o nosso "site" www.figueiraccva.org

sábado, 19 de setembro de 2009

Os Milagres não se Compram!

Hoje o cristianismo de pendor evangélico está a ser assaltado por oportunistas que trazem uma carga mercantilista para o seu seio.
Entre pequenos grupos, mas tristemente também entre grandes nomes e igrejas, o factor financeiro pesa e tornou-se o tema principal das mensagens e teologia que os caracteriza.

A ideia que, o milagre ou a bênção divinas se podem comprar, tornou-se comum e aceitável por muitos no seu seio, como algo normal, onde já não há qualquer pudor em se afirmar que tudo depende da nossa oferta, normalmente canalizada para projectos pessoais megalómanos.

É comum ouvir-se dizer: Mesmo que não tenha nada para dar, venha receber o seu milagre.
Os que afirmam isto fazem-no como pessoas misericordiosas, como se fosse um favor que prestam aos desfavorecidos.
O normal é "pagar" para receber o milagre, mas como são pessoas benevolentes e caridosas, abrem uma excepção final, para os que não podem dar nada devido à condição precária que atravessam. O problema é que aos ouvidos da maioria isto tornou-se banal.

Jesus, ao inverso deste ensino actual, não condicionou a cura às questões financeiras, mas à misericórdia e fé.
Em Mt.8.1-4 "Veio um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. Jesus estendeu a mão, e o tocou, dizendo: Quero, sê limpo! E imediatamente ficou limpo da lepra. Disse-lhe então Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote e apresenta a oferta que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho." (Almeida Edição Contemporânea)

Após curar este leproso, Jesus ordenou-lhe, entre outras coisas, que fosse apresentar a oferta ordenada por Moisés (lei) para lhes servir de testemunho.

Esta ordem inversa, de acordo com os padrões actuais, mostra onde se insere a nossa oferta; não é um "negócio" ou "compra" de milagre, mas um testemunho pessoal da gratidão a Deus pelo milagre que fomos alvo.
A misericórdia divina atingiu-nos e pela fé fomos capazes de crer para a receber.

Não é a antecipação da oferta - como se fosse isso que movesse o coração e vontade divinas - que faz o milagre acontecer, mas será sempre um acto da misericórdia divina que, responde à fé depositada na palavra e promessas de Deus.

Ainda creio em milagres, Deus não entrou em crise nem perdeu a sua capacidade sobrenatural, mas não posso conformar-me com todo o "mercantilismo piedoso" à volta da miséria e necessidade que muitas pessoas se encontram.

A nossa oferta - os cristãos são pessoas que ofertam em gratidão e o fazem com generosidade - é um testemunho da graça e misericórdia divinas na nossa vida.
Essa foi a ordem de Jesus, não houve qualquer impedimento à cura por não ter sido ofertado nada antecipadamente, mas servia de testemunho que, algo tinha acontecido e poderia ser comprovado por todos.

Alguns arrogam-se de fazer "mover" Deus por causa da sua oferta, mas na Bíblia sempre a ordem é inversa: Não somos nós que damos o que quer que seja em primeiro lugar, mas apenas devolvemos a Deus o que já recebemos em abundância d'Ele.

Nunca seremos capazes de dar o que quer que seja a Deus; Ele é que nos dá tudo, nós apenas devolvemos parte, como sinal de testemunho e gratidão ao nosso providenciador da vida.

A minha oferta será sempre um testemunho e acto de gratidão da bondade, misericórdia e graça de Deus na minha vida.

Deus vos abençoe

João Pedro Robalo

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A Ética e a Moral

Estamos em plena campanha eleitoral para a eleição do novo parlamento para os próximos 4 anos.
Tenho lido e ouvido alguns comentários no meio evangélico sobre a possibilidade ou não de se tomar posições públicas a favor de uns em detrimento de outros.

Entre muitos comentários ressaltam algumas posições que desejam colar os cristãos às políticas de pendor moral em detrimento de outras.
O aborto, casamento entre homossexuais, laicismo, uso de células estaminais, etc. surgem como as bandeiras que pretendem condicionar a orientação do sufrágio entre os cristãos.

Ao ler a Bíblia, encontro uma maior preocupação do Autor que inspira os textos nas questões éticas - os aspectos sociais são fundamentais para Deus - que apenas nos aspectos morais.
Atenção, com isto não desvalorizo a importância do carácter cristão na sua luta Titânica contra o pecado; somos, e sempre seremos contra toda a manifestação do mal que procura humanizar actos que são hediondos e condenáveis, na qual, o aborto entre outros, se insere.

O que me incomoda é a mensagem que alguns cristãos evangélicos - principalmente líderes - querem fazer passar para condicionar o voto livre e consciente dos crentes.
Dizem eles que não se pode votar em políticas que são moralmente erradas mas, subtilmente, apelam ao voto em grupos que desvalorizam os aspectos sociais - éticos para mim - como algo subalterno ou inferior.

Para Deus este não é um assunto menos importante, aliás, foi a falha neste aspecto que condenou a nação da aliança - Israel - na sua missão, ao não cuidar dos órfãos, viúvas, estrangeiros e desfavorecidos, perderam a sua posição privilegiada diante do Senhor.
Aconselho a leitura, entre outras, as passagens: Ex.22.21-23; Lv.19.10 e seguintes; 23.22 e como a igreja neo-testamentária seguiu o mesmo padrão; Gl.2.9-10.

Não encontro na teologia bíblica uma desvalorização dos aspectos éticos em relação aos morais, antes pelo contrário, uns, os morais merecem uma reflexão pessoal constante, enquanto os outros, os éticos, são de carácter público e sobre os quais a igreja tem uma responsabilidade social de dar a resposta que a humanidade precisa; cuidar dos desfavorecidos.

Sl.140.12 "Sei que o Senhor concede justiça ao pobre, e sustenta a causa do necessitado"
Para Deus não me parece haver uma preocupação desmedida das questões morais em relação às éticas, parece-me que o contrário revela mais o paradigma bíblico.

A igreja "evangélica" tem perdido a sua voz e relevância na sociedade, quando tem trocado as prioridades e surge com posições situacionistas e retrógradas que, mais desejam manter tudo na mesma em vez de almejar uma sociedade mais igualitária e equitativa.

Os cristãos estão livres de fazer as suas escolhas partidárias sem qualquer anátema ou condicionalismo devido às questões morais, porque a nossa primeira obrigação bíblica deve-se com aspectos ético-sociais da sociedade onde temos a responsabilidade de ser luz e sal para a construção de uma nova sociedade na terra.

Precisamos mais de respostas éticas oferecidas ao mundo como o fez Dietrich Bonhoeffer, que a triste figura que os pastores americanos oferecem na sua colagem ao conservadorismo por questões morais.

Bem-haja

João Pedro Robalo

sábado, 5 de setembro de 2009

Uma Explicação.

Como sempre deixo o final de verão para tirar alguns dias de descanso, como tal, tenho publicado poucos textos neste espaço.

Espero que compreendam e em breve voltarei para reflectir, criticar, discordar, fazer pensar e sobretudo deixar mensagens de esperança.

Entretanto visitem o "site" da igreja: www.figueiraccva.org

Bem-hajam

João Pedro Robalo

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Equívocos Denominacionais

“O elemento curador (na igreja primitiva) foi a compreensão de que aproximar-se de Cristo reduzia a importância das diferenças humanas e aproximava também as pessoas umas das outras.”(Jimmy Carter, Os Valores em Perigo – a crise moral americana, Quidnovi, 2006)

Vivi grande parte da minha vida numa denominação evangélica em Portugal, desde a mais tenra infância.
Primeiro como crente comum, depois como membro activo da igreja que sempre fui, e finalmente como ministro do Evangelho, durante vários anos, tendo desempenhado cargos de elevada responsabilidade nas suas estruturas.
Conheço, portanto, os aspectos mais constrangedores e controversos do denominacionalismo evangélico português.

Acresce que a minha experiência em lidar com outras denominações, no âmbito de responsabilidades que fui assumindo no meio cristão, ao longo dos anos, permite-me ter hoje uma perspectiva geral das coisas.

A presente reflexão evidencia sobretudo alguns equívocos, erros ou fraquezas, consoante o ponto de vista, do percurso histórico das denominações, e que, nalguns casos, se prolongaram até à actualidade.

Eis alguns deles:

1.Confusão entre ortodoxia e rigidez doutrinária.
Ao contrário do que se pensa, quanto mais inseguro o ser humano é, quanto às suas convicções religiosas, mais se agarra a um sistema rígido de doutrina e prática. Circunstância essa que, levada ao extremo, desemboca num fanatismo militante, em nome da “sã doutrina”. Pelo contrário, quanto mais seguros estamos do que somos e daquilo em que cremos, mais liberdade pessoal desfrutamos para reflectir, indagar, questionar, pôr em causa e lidar com as dúvidas, que não só são legítimas como normais e naturais.

2.Primado da mediocridade.
Este equívoco decorre do anterior. Os mais inseguros, e portanto mais rígidos, acabam por gerar um sistema de poder, onde os mais capazes, mais indagadores e mais livres são sistematicamente marginalizados, já que assustam os inseguros com as suas indagações. É desse tipo de comportamento que procede a mediocridade, já que a rigidez não é criativa, nem inovadora nem adaptativa.

3.Confusão entre humildade, ignorância e cretinice.
A defesa acérrima e acéfala de normas humanas obsoletas, sem suporte bíblico sério, e racionalmente indefensáveis não é uma atitude inteligente nem séria. Confunde-se facilmente humildade com ignorância ou patetice. Ser humilde não é ser parvo ou descartável, é escolher rejeitar o orgulho e sujeitarmo-nos à vontade de Deus.

4.Confusão entre santificação e farisaísmo.
Constituindo este uma atitude religiosa de que resultam sempre posturas eivadas de hipocrisia. Ou seja, dito de outra forma, o farisaísmo defende o primado da aparência em detrimento da autenticidade e da essência. Como se vê, a natureza da atitude farisaica é radicalmente oposta ao cristianismo bíblico.

5.Sectarismo denominacional.
O espírito de seita ronda o denominacionalismo sempre que o espírito da exclusividade ortodoxa supera o espírito da unidade em Cristo, cegando as pessoas para a realidade espiritual a que o apóstolo Paulo denomina como “a multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4:10). Todos têm o direito de crer, valorizar e defender pontos de vista estruturantes da sua denominação, e de defender um património histórico, desde que isso não os cegue para a evidência de que o Corpo de Cristo não se esgota nesses estritos limites.

6.Discriminação de género nos ministérios espirituais. A contínua desvalorização das mulheres no ministério é uma das fraquezas de algum denominacionalismo. Argumentos estafados, descontextualizados histórica, escriturística e teologicamente, obviamente procedentes de um machismo obsoleto, coartam assim o acesso de muitos dos melhores e mais preparados elementos da Igreja ao cabal desempenho dos dons, ministérios e vocações a que foram chamados por Deus. Há excepções, que apenas confirmam a regra (como é o caso da The Foursquare Church, Igreja do Evangelho Quadrangular, denominação pentecostal histórica, que foi fundada por uma mulher, a canadiana Aimee Semple McPherson, no ano de 1927, em Los Angeles). Mas este caso histórico ainda continua a constituir uma excepção.

7.Confusão entre doutrina e usos ou costumes.
As tradições e influências culturais misturam-se ainda com demasiada frequência com a vertente doutrinária, originando conflitos desnecessários. Alguns ainda não compreenderam que a doutrina é universal e eterna, mas a cultura (usos, costumes) é local e temporal, e que nem sempre o abraçar uma nova doutrina implica a adopção de uma nova cultura.

8.Confusão entre proselitismo e evangelismo.
Julgando que a função da Igreja é apenas arrebanhar acólitos, multiplicar os números, fazer prosélitos, despreza-se a influência dos cristãos na sociedade, e promove-se uma cidadania mitigada, ao desencorajar o envolvimento dos convertidos nas diversas dimensões da cidadania terrena, a par da sua edificação espiritual. Quando se fala de intervenção cultural, desportiva ou política então…

9.Ênfase doutrinária exagerada em aspectos distintivos.
Cada denominação tem a tendência para focar, de forma porventura menos equilibrada, os seus aspectos doutrinários distintivos, isto é, os aspectos doutrinários que a distinguem das outras. Como se o valor de uma igreja estivesse na sua origem e percurso histórico e não na Pessoa de Jesus Cristo enquanto sua centralidade. As igrejas não podem comportar-se como empresas que apostam na exclusividade ou nas características distintivas dos seus produtos a fim de conquistar o mercado.

10.Da falta de formação à formatação das lideranças.
Receio que se tenha passado da pura falta de formação da futura liderança para a sua formatação. As lideranças espirituais devem preparar-se o melhor possível para um mundo altamente desafiador, mas não é com cartilhas rígidas que o farão.

11.Lutas internas.
Qualquer organização cria as condições para que nela se venham a verificar atitudes de luta pelo poder, mais cedo ou mais tarde. Talvez por isso determinadas denominações auto-designam-se preventivamente como “movimentos do Espírito” e não denominações, ou recusam chamar pastores aos seus líderes. Mas o que conta não são as designações mas sim a postura.

12.Perspectiva providencial e messiânica.
A ideia de que nós é que estamos no caminho, enquanto todos os outros estão apenas à beira do caminho é doentia e presunçosa, mas infelizmente é corrente nalguns círculos. Tal como a ideia de que é a nossa denominação que vai converter o país e o mundo a Cristo, como se os outros cristãos e igrejas tivessem um papel meramente decorativo. Chega-se a afirmar que “o evangelho não chegou ainda” a esta ou aquela terra, mesmo quando se sabe que outras igrejas protestantes ou evangélicas lá estão radicadas e a trabalhar na promoção do reino de Deus…

13.Mentalidade imperial.
Critica-se a igreja romana pela sua estrutura e mentalidade imperial, mas na prática promove-se o mesmo, quando se reivindica “somos a maior denominação mundial”, ou “somos a igreja que mais cresce em todo o mundo”, e outros tiques imperialistas do género.14. Falta de amor e cuidado pelos fracos e caídos. É porventura a maior falha das igrejas locais. E isto em nome de uma disciplina que não visa a restauração da pessoa, mas sim o efeito de dissuasão que pode ter sobre a comunidade em geral e o reforço político da imagem da sua liderança espiritual, numa tentativa de preservação da realidade da denominação.

15.Tendência de exagero regulamentar.
Ao matar grande parte da criatividade e da iniciativa em nome dos regulamentos ou tradições, está-se a matar a vida de uma comunidade local. Quando se cortam à partida todas as ideias, por melhores que sejam, só porque “nunca se fez assim”, está-se a apelar ao espírito de “macaco de imitação”. Jesus nunca disse para nos imitarmos uns aos outros, mas Paulo apelou à imitação do próprio Cristo.
E isso é altamente desafiador.

Apesar de todo o respeito e gratidão que a Igreja do presente deve ter para com os seus líderes do passado, a verdade é que o tempo presente traz consigo novas exigências e requer uma nova mentalidade, ainda que os fundamentos permaneçam os mesmos. Exactamente por isso. É que os métodos, práticas e visões são temporais mas o fundamento eterno da doutrina de Cristo e dos Apóstolos nunca mudará.

Este Texto é da autoria do Pr. Brissos Lino, fonte:http://ovelhaperdida.wordpress.com

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Ventos de Mudança

Tem sido, por vezes, muito confrangedor a reacção, ou pior ainda, desprezo que somos votados no meio cristão - principalmente evangélico - quando defendemos a perspectiva pós-milenista ou mesmo preterista (convém referir, que neste aspecto, insiro-me no sector "parcial", não "total")

No, entanto, apesar das incompreensões, cada vez firmo mais a minha posição escatológica, até porque, os argumentos contrários não convencem.

Por achar que este artigo na revista "Charisma" quebra com um tabu no meio que normalmente se insere, achei por bem colocar o "link" que direcciona para este excelente texto.

Quando vejo debater-se um tema destes neste meio, só posso - alegremente - concluir que os ventos de mudança estão a surgir.

http://charismamag.com/index.php/fire-in-my-bones/23081-dont-get-infected-with-last-days-fever

Boa leitura e reflictam

João Pedro Robalo