domingo, 21 de fevereiro de 2010

Guerras e Rumores de Guerras!

Escutei com perplexidade, uma "revelação" que me espantou, pela ousadia, num programa de cariz evangélico televisivo, alguém com reconhecida capacidade afirmou ter compreendido pela primeira vez o sentido da expressão bíblica: "Guerras e rumores de guerras!"

De acordo com o proponente, quando os evangelistas falam de "rumores de guerras" é uma referência directa ao surgimento do terrorismo, agora um assunto tão pertinente nos meios de comunicação.

São "revelações" deste género que tiram crédito à Palavra de Deus. Quando se procura actualizar as profecias de Jesus, consoante vão surgindo novidades, ou novos contornos da história, que precisam encaixar na escatologia pré-determinada, para que continuem a fazer sentido, as previsões que já tantas vezes falharam, só podemos lamentar e não deixar de denunciar.

Tanto no Evg. de Marcos, como de Mateus, onde surge esta palavra "rumores" no grego «akoë» que transmite a ideia de: Ouvir, ou o acto de escutar algo; nada procura transmitir além de um reforço de todo o ambiente aterrador que qualquer guerra, ou informação sobre essa possibilidade transmite aos ouvintes dessa realidade terrível e próxima.

No Evg. de Lucas, a palavra é substituída por «Revoluções», "Akatastasia" que realça o sentido de: Confusão, instabilidade ou tumultos.

Poderão argumentar que escutar algo que aterroriza, cria instabilidade ou gera tumultos, pode ser interpretado com actos de terrorismo. Eu contra-argumento com o facto que as guerras e qualquer ideia da sua proximidade fazem o mesmo, não me parece necessário fazer este "ajuste" mediático e oportuno para algo que deve ser mantido do seu sentido original e primário tendo em vista o primeiro ouvinte como regra de uma boa interpretação.

O que mais me incomoda nesta facilidade interpretativa, é o conceito que a rege, ou seja, quando surge uma ideia, mesmo que não se consiga contextualizar, nem fortalecer com base bíblica, por "encaixar" ou ser original, passa a ser tida como fidedigno ou "revelação" final.

A Palavra de Deus não pode ser tida com esta leviandade, não pode andar ao sabor dos caprichos interpretativos de cada um, tem de ser respeitada e honrada com tal, ou seja; como Palavra de Deus que é na realidade.
Este é o único caminho para que, os que nos escutam percebam o valor que lhe atribuímos e o respeito que lhe temos, ao ponto de não acrescentar, nem tirar nada além do que nos transmite.

A interpretação que fazemos dos chamados "Fins dos Tempos", revela o respeito e compromisso que temos com as Escrituras Sagradas, pois não forçar o texto de forma que encaixe na nossa escatologia, revela até que ponto a Bíblia é ou não para nós na sua totalidade, sem qualquer reticência, a Palavra de Deus.

Este relato de Jesus, como profeta que é, sobre o que é chamado vulgarmente de "A Grande Tribulação" foi delimitado no tempo e espaço, ao contrário que muitos fazem, alargando e estendendo no tempo e espaço a sua realização.

Mt.23.36 "Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração"
O discurso que antecede os pormenores deste tempo que seria encurtado por causa dos santos, começa com uma afirmação temporal que procura situar o relato dos acontecimentos a uma geração, não para além dela, nem estendida no tempo sem definição clara.
Mt.24.34 "Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam"
Para não existir dúvidas sobre o tempo a que estes acontecimentos se devem encaixar, não ir para além deles, Jesus reforça esta ideia geracional para o seu cumprimento.

Já naquele tempo haviam actos que podem ser considerados terroristas, ao ler Flávio Joséfo, somos confrontados com relatos entre os judeus da geração terminal, que insensíveis ao sofrimento do seu próprio povo, por questões de fanatismo religioso e político, auto-destruíram-se de formas ignóbeis e desumanas.
Contudo, não posso afirmar que é uma referência clara a esse tipo de acções, pois seria forçar o texto ou perder esta objectividade de compromisso com a Palavra de Deus.

Nos dias actuais, as previsões Maias, Nostradamus, islâmicas ou até evangélicas de teor dispensacionalista - há muitos evangélicos que são pós-milenistas ou preteristas - não me incomodam nem deixam perturbado, aliás, se observarem com atenção é essa a intenção de Jesus, sossegar os seus discípulos, e, é porque estou seguro que o tempo para se cumprirem estas guerras e os rumores delas, foram para um determinado tempo bem definido pelo Messias, que permaneço seguro sem perturbação, mesmo com relatos noticiosos devastadores.

Considero ser de maior valor e integridade intelectual aceitar que Jesus sabia definir tempo, por isso, não fez estas afirmações com segundas intenções, nem para cada geração achar que é o seu tempo onde as tais profecias devem ser enquadradas.
Acho até ser de uma certa presunção considerar que é sempre o seu tempo onde estes acontecimentos se dão.

É certo que iremos escutar sobre guerras, talvez não tão destrutivas como no passado recente, apesar do arsenal existente para tal, mas daríamos um melhor contributo se não forçássemos o texto, só para encaixar um ideia que nos surgiu, ou pior, querer ter protagonismo neste assunto.

Tal como foi objectivo de Jesus, sempre que tocou estas questões, fê-lo, para deixar os cristãos tranquilos e em paz perante qualquer incidente que surja, da mesma maneira, quando decidi escrever sobre o que escutei, sem nomear ninguém, porque não é uma questão pessoal, mas de conceitos, espero ter ajudado a sossegar a alma de cada um.

Bem-haja

João Pedro Robalo

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Valor da Pregação

Assisto actualmente a uma desvalorização da pregação do evangelho generalizada entre os cristãos.
É comum ouvir referências sobre a pobreza e ineficácia da igreja quando "meramente" prega o evangelho, sem outro envolvimento em causas sociais.

Considero extremamente importante e vital, a igreja desenvolver trabalho social na cidade ou região onde se encontra. O reino de Deus será implantado quando respondemos de forma ética e prática a todas as necessidades da sociedade.

Contudo, não me parece correcto desvalorizar o mandamento que Jesus nos deixou: Pregar o evangelho e ensinar a guardar todas as coisas que no mandou em todas as nações.

Pregar nunca será algo superficial ou secundário. Pregar o evangelho é central, é a nossa grande responsabilidade e nunca perderá o seu valor intrínseco que capacita a mudança radical do Ser humano.

A palavra grega traduzida por «pregar» tem o sentido de proclamar como arauto de forma pública, audível e como vencedor.

Mais do que fazer um discurso interno, é uma mensagem que pode surgir numa conversa amigável, em família, entre desconhecidos ou até para nós próprios.

Por tudo isto a pregação na congregação também não deve ser desvalorizada, porque surge em todos estes lugares referidos, pelos ouvintes.

Pregar desperta a fé (Rm.10.8-10 "...isto é , a palavra da fé que pregamos... se com a boca confessares e com o coração creres") a pregação, seja em congregação ou em qualquer outro lugar, desperta e desenvolve a fé. Apesar de necessitar de obras, a fé não surge por elas, mas pela Palavra.
Semente incorruptível (1ªPd.1.23 "Tendo sido regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela Palavra de Deus, a qual vive e é permanente") Só a Palavra de Deus possui esta característica única, independente do mensageiro ou interlocutor, ela permanece incorruptível e intacta em toda a sua natureza e virtude.

Loucura sábia (1ªCo.1.21 "Aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação") Será que Deus se enganou quando optou por este meio? Ou será que somos tão sábios que dispensamos os meios e métodos divinos para salvar pessoas. A única loucura saudável e sadia vem do Pai das luzes.

Poder de Deus (1ªCo.1.24 "Pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus") Não imaginas o poder que está envolvido quando pregas, quando anuncias a boas novas do céu, desvalorizar a pregação é erro fatal para o crescimento da igreja.

A lógica do reino (Rm.10.14-15 "Como invocarão em quem não creram? Como crerão naquele de quem não ouvirão? Como ouvirão se não há quem pregue? Como pregarão se não forem enviados?") Só invocarão a Deus quando esta sequência natural é seguida. Na maior parte dos cristãos há uma desresponsabilização, porque não se consideram enviados, mas este envio referido, não creio que se refira a um trabalho missionário que qualquer igreja desenvolve enviando alguém. Mas, creio ser uma referência à ordem de Jesus a cada um de nós.

Prega a palavra a tempo e fora de tempo, foi o conselho dado por Paulo a Timóteo, que me parece ser aplicável a todos nós. Prega a Palavra!

Bem-haja

João Pedro Robalo

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Alargar a influência

Desde a alguns anos para cá, Deus tem-nos concedido palavras, frases ou versículos chave, com os quais afinamos as nossas agulhas para investir em alvos específicos.

Não se tratam de condicionalismos ou programações fechadas, mas temas que se tornam «lemas da alma», para que, a esperança fortaleça a fé perante os desafios e obstáculos quotidianos.

Desde o final do ano 2009 que venho sentindo uma direcção específica, a qual neste domingo comuniquei à igreja, baseada num versículo de Isaías (54:2) "Amplia o lugar da tua tenda, e as cortinas da tua tenda se estendam, não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas."

Esperei quase um mês para o divulgar à comunidade de crentes que se reúne no CCVA em Figueira da Foz, porque sei quão perigoso pode ser este versículo, quando mal interpretado, aplicado ou até manipulado para usos de interesse pessoal.

Deus deseja, isso estou certo, que alarguemos a nossa área de influência em todos os sentidos; pessoal, ministerial, familiar, profissional, social e espiritual. Mas o que significa, ou em que termos esta influência se estabelece?

Não tenho para já respostas fixas ou pré-definidas - que me desculpe quem esperava resposta fácil - mas linhas de orientação que me dão confiança suficiente, para seguir e "arriscar" mesmo sem todos os detalhes ou pormenores.

Só de olhar para o texto em si, três coisas posso desde já concluir:

1º Fé é necessária.
Sem ela (fé) a comodidade e o conforto são seguros e suficientes para qualquer um se sentir satisfeito e realizado. No entanto, quando um sentido de responsabilidade nos assalta, ficar na mesma e no mesmo lugar é doloroso demais para ser suportado, por isso, está na hora de saltar do barco e andar sobre as águas, tal como Pedro o fez na confiança da palavra (vem) dada pelo Mestre.

2º Caminho desimpedido.
Quando o autor nos avisa: "Não o impeças" coloca as coisas no devido lugar. São os nossos preconceitos, manias, precipitações e egoísmos que impedem Deus criar condições para alargar a nossa esfera de influência, e, até mesmo trazer bênçãos à nossa vida.

A nossa tarefa, por vezes, passa mais por sabermos estar sossegados e entender quando agir, do que qualquer outra "técnica" de liderança ou estratégia que tenhamos aprendido.

Saber libertar dos embaraços da vida é meio-caminho para a abundância e virtude divinas na nossa realidade.

3º Firmeza.
Finalmente, a firmeza em tudo o que pensamos, cremos e realizamos; será a grande virtude que proporciona a realização e manutenção dos resultados que desejamos ver surgirem na nossa realidade vindos céu.

São imensos os prejuízos que acumulamos, por sermos inconstantes e impacientes. Gente firme que vai até ao fim do caminho, persiste em seguir, quando outros desistem, permanece confiável e constante, quando tantos oscilam conforme o estado de alma; são aqueles que verão a sua "tenda" ser ampliada, alargada e firmada, quaisquer que sejam as circunstâncias.

Bem-hajam

João Pedro Robalo

Nota: Esta mensagem pode ser escutada ou visualizada em; http://www.figueiraccva.org/


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Deus não está ensaiando...

Hermes C. Fernandes

Foi o Criador quem disse: “Eu anuncio o fim desde o princípio”! Jamais entenderemos o fim, sem compreendermos o princípio de tudo. Tudo está conectado. Tudo faz sentido.

Toda a confusão que se faz em torno da escatologia, se deve à negligência quanto ao início de tudo.

Por que tantos defendem que o mundo caminha para uma destruição iminente? Porque não atentaram para a avaliação que Deus fez da Sua obra.

A criação não é um rascunho. Ela é a obra-prima de Deus.

De acordo com a narrativa de Gênesis, a cada etapa da criação, Deus avaliava Sua obra. Depois de avaliar como boas todas as coisas que criara, Deus emitiu a avaliação final: “Viu Deus tudo o que tinha feito, e que era MUITO BOM” (Gn.1:31). Podemos substituir o “muito bom” por “excelente”. Foi essa a nota que o Criador deu ao conjunto de Sua obra.

Quem insiste com a idéia de que Deus vai destruir este Universo, para criar um melhor, incorre no erro de achar que Deus possa superar a Si mesmo. As Escrituras não dizem que Deus pretende fazer tudo de novo, e sim que Ele fará novas todas as coisas. “Tudo novo” não significa “tudo de novo”. Não se trata de uma nova criação que emirja do nada, mas de uma renovação de todas as coisas. Por isso, podemos afirmar que Deus é o autor da reciclagem. Ele não vai descartar Sua obra, mas reciclá-la por completo.

Nosso Universo não é um laboratório, e tampouco somos cobaias de um deus ainda em formação acadêmica. Ele não está ensaiando a peça, mas a está encenando. Nosso Universo não é um ensaio, é o espetáculo.

Este mundo não é uma experiência, nem uma obra inacabada. “Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados” (Gn.2:1). O gênero humano foi, por assim dizer, a pincelada final da criação.

E a criação tem um propósito específico. Ela não é um acidente cósmico, e nem surgiu espontaneamente. “Tudo foi criado por ele e para ele” (Cl.1:16b). Por isso Jesus é introduzido em Apocalipse como o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o ponto de partida e a linha de chegada de toda a criação. Tudo converge n’Ele!

Ninguém consegue montar um quebra-cabeça, sem ter um modelo com a imagem que se quer alcançar. Cristo é “a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Cl.1:15). Ele é a imagem que emerge do mosaico da criação.

Ele é o protótipo, o modelo usado por Deus para criar tudo o que há. Por isso se diz que Ele é o princípio da criação. Ele é a imagem que Deus vê refletida em um Universo que Lhe serve de espelho.

Em Cristo, todas as peças do quebra-cabeça da criação se encaixam perfeitamente. Através d’Ele a criação pode refletir a glória do Seu Criador. N’Ele, o Deus invisível revela o Seu rosto. Nas palavras de Paulo, “os atributos invisíveis de Deus, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que foram criadas” (Rm.1:20a). Tudo fica muito nítido e claro, quando miramos a criação devidamente conectada em Cristo. N’Ele tudo se harmoniza perfeitamente.

Se Deus é o Autor da peça, Cristo é o Protagonista, a Criação é o cenário, o Espírito Santo é o Holofote, e nós somos a platéia.

Retirado do “Site” www.genizahvirtual.com

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Iluminações de Galileu e dos Mágos

Hoje, 7 de Janeiro, celebra o 400 centenário do salto científico dado por Galileu no registo dos satélites de Júpiter, iniciando assim uma nova abordagem cientifica, que se emancipou.

Também nesta data, o mundo cristão ortodoxo celebra o Natal, com a chegada dos magos para adorar o Rei Messias, nascido em Belém, Jesus.
A Igreja Ortodoxa, fá-lo, seguindo o calendário Juliano, o que, é interessante, pois apesar da diferença dos dois calendários, não colocam assim tão distante o nascimento do Salvador.

Ambos os casos - galileu e a visita dos magos - são claramente actos de iluminação que, trouxeram progressos inegáveis à humanidade. Uns, no campo científico, outros no campo do "Ser", do homem perdido, desgarrado, sem conhecer o seu Salvador.

Registo a coincidência das datas, apesar de distanciadas por séculos, ambas trouxeram clarividência a quem soube observar e tirar conclusões objectivas sobre o que via.

Hoje precisamos, tal como nas efemérides, saber distinguir o supérfluo do essencial. Saber fazer a distinção entre o que é importante e o que não merece sequer consideração ou desperdício de tempo e energias.
Esta "dissecação" fará a diferença entre; viver no tempo e para o tempo, em vez de desajustados inadaptados - como tal inoperantes - acumulando frustrações não processadas que resultam em desajuste total.

Os mágicos, seguiram uma estrela (alinhamento de planetas) que os levou a sair do seu conforto e partir para o desconhecido. Não eram 3, muito menos Reis, nem sequer vinham de lugares diferentes; mas conseguiram na astrologia, tal como Galileu, encontrar a iluminação que os levou a buscar algo que desconheciam, mas criam ser possível encontrar.

O Espírito Santo, prometido por Jesus como nosso guia em toda a verdade, continua a desafiar-nos a sair do lugar de conforto e apático, para a dependência constante da sua direcção e vontade, expressas na revelação bíblica, sem tabus nem preconceitos, para uma dimensão de vida iluminada que nos faz atenticos e relevantes nos dias actuais.

A marca de Galileu para a emancipação da ciência moderna, assim como os magos - talvez de onde menos se esperava, não teólogos, nem religiosos, mas astrólogos - abriram novos horizontes de conhecimento a serem considerados, para o progresso e desenvolvimento da humanidade.

Quando um cristão se predispõe a sair do marasmo quotidiano previsível para o desafio do estabelecido - até nas redes sociais encontramos o comummente aceito - desafiando as frases feitas, as maledicências modernas, as utopias esvaziadas de conteúdo, ou até as revoluções recicladas; para, a iluminação de algo que causa preplecção, como os casos referidos - ambos em palácios - poderemos ser incompreendidos, mas estaremos no bom caminho, naquela iluminação que produzirá mudança profunda, nas vidas reais das pessoas.

Um profeta não é quem denuncia, mas quem aponta um caminho a seguir. Vê o que está errado, desajustado, mal realizado, incompleto, e, revela o caminho a seguir, a solução a aplicar ou pelo menos como sair da apatia e indiferença instaladas.

Galileu, ofereceu uma nova metodologia do conhecimento, os mágicos do oriente adoraram o salvador no meio da indiferença do povo da aliança perante o seu Messias e Salvador.

Os que adquirem iluminação num determinado tempo - mesmo que incompreendidos e rejeitados - deixam um legado que é seguido nas gerações seguintes.

Bem-haja

João Pedro Robalo

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Porque Festejo o Natal!

Sempre que nos aproxima-mos desta quadra, surgem as teorias de conspiração sobre tudo o que rodeiam as celebrações, os símbolos que a identificam e como foi construída toda a festa ao redor da celebração.
A data escolhida colhe a maioria das criticas, além da comercialização ao redor da festa, assim como a perda do significado do natal, ao ponto de haver quem acuse de celebrar o "aniversário" de Jesus, como se fosse isso que estivesse em causa.

Escrevo esta pequena reflexão, porque é da parte da nossa área cristã, de onde surgem as criticas mais ferozes e injustas à celebração do Natal.

Não posso deixar de concordar que alguma parte da mensagem principal do Natal, perdeu-se; melhor dizendo, esbateu-se perante outras figuras e símbolos comerciais, que o interesse económico impôs.
No, entanto, não são os exageros ou erros que me farão desviar da responsabilidade cristã em festejar uma das mais importantes datas do cristianismo.

A ÁRVORE
Uma das criticas que mais surge, o uso da árvore da natal como símbolo, atrai uma parafernália de suspeições e disparates.
Não vou discutir a possibilidade de origens pagãs que alguns invocam, não que consigam relacionar com o nosso uso do pinheiro de natal, mas relembrar que, segundo a tradição, foi o gigante da reforma Martinho Lutero que, pela primeira vez trouxe para o seu lar um ramo de abeto o enfeitou com velas e papeis coloridos para celebrar em família a data do nascimento de Jesus.
Se conseguirem ligar Lutero a qualquer prática de paganismo ou idolatria, então talvez possamos olhar para o pinheiro de natal desse prisma.
Claro está que para alguns Lutero foi apenas um sujeito que deu uma "mãozinha" para nos emanciparmos do catolicismo doentio em que a cristandade havia caído.

Para reforçar, convido os meus amigos estudiosos da Bíblia, a verificarem quantos encontros com seres celestiais os patriarcas tiveram debaixo de árvores, onde em alguns casos assumiam um significado simbólico de lugar de adoração do verdadeiro Deus.
Como vêem, não precisamos ir às práticas pagãs para encontrar similaridade em alguns símbolos que hoje adoptamos.

OS PRESENTES
A troca de presentes, para alguns, também tem origem em todas as religiões pagãs, menos na Bíblia. Dá vontade perguntar se quem afirma tal lê as Sagradas Escrituras.
Não me vou refugiar no facto dos mágicos vindos do oriente o fazerem - não eram três, nem Reis e não surgiram na noite do nascimento do Salvador - mas oferecer presentes e troca simultânea, era uma prática judaica em certas festividades, as quais ainda hoje algumas delas são mantidas.
Esdras e Neemias incentivaram o povo que se encontrava em lágrimas e profunda comoção, para celebrarem o dia do Senhor com alegria e festa, enviando porções a quem não tinha nada para o fazer.

Se acham hipócrita esta reciprocidade egoísta de troca de presentes - por vezes é - está nas mãos de cada um a oportunidade de fazer diferente. Envie algo a quem nada tem, convide alguém para se juntar a si, construa algo diferente neste natal.

A DATA
A data é talvez o aspecto mais controverso a respeito do nascimento de Jesus. Aprendi desde cedo que esta não seria a data mais apropriada para o fazer, porque seria impossível Jesus ter nascido neste período do ano. (Os pastores estavam no campo, que inviabilizaria a possibilidade de Dezembro)
Não posso garantir que a escolha da data seja inocente, mas não pelas causas que alguns advogam.
Temos uma prática cristã bem enraizada de tomar datas, lugares e símbolos de religiões e cultos pagãos, não para sincretismo, mas demonstrar a superioridade do Deus que adoravam.

Acontece que, de onde menos se esperava surgem agora dados que podem oferecer à data possibilidade verosímil.
O professor S. Talmon da Universidade de Jerusalém, baseado em documentos encontrados em Qumran, conseguiu precisar as 24 ordens cronológicas das classes sacerdotais.
A de Abias é que nos interessa, porque com esta ajuda sabemos que o pai de João Baptista, Zacarias, terá servido no templo entre 23 a 25 de Setembro.
Este anuncio da concepção de Isabel que, de acordo com o Evg. de Lucas, nos oferece a precisão cronológica difereniada em seis meses em relação à concepção de Maria, o que aponta o nascimento de Jesus para o mês de Dezembro.

CELEBRAR O NATAL
Seguindo o significado etimológico da palavra natal temos o que celebramos nesta data: O nascimento do Salvador.
Não é um aniversário, mas a celebração da vinda à terra em forma milagrosa e única - como Kaesman refere; irrepetível - do Verbo que encarnou, para nos salvar.

Deus não podia deixar que este evento fosse deixado ao acaso, por isso, os anjos - em número elevado - visitam os pastores e os convidam a juntar-se aos pais jovens naquela noite.
Não sei se isto lhe é relevante, mas Deus organizar esta festa e alarido, não foi de certo um equívoco ou inocente.
A mim é suficiente para escolher alguma data do ano e lembrar que, em dado momento crucial da História o céu invadiu a terra, ainda que de forma frágil e humilde, alterando para sempre o curso da mesma.

"Glória a Deus nas maiores alturas, paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem" Lc.2.14

Posso celebrar o nascimento de Jesus em qualquer altura do ano, mas se à tradição juntar a possibilidade de ser no momento certo, ainda melhor.
Celebrar o natal é celebrar a boa vontade divina que resulta em esperança para a humanidade.


Que me desculpem todos os detractores da festa do natal - aqueles que tentam desvalorizar esta celebração universal, ou os que despem de sentido o significado do mesmo com consumismos descontrolados - mas neste natal, ainda por cima à espera de mais um membro para a família, vou festejar com alegria e com toda a gratidão pela dádiva de Deus ao mundo.

Continuo, e continuarei a celebrar esta quadra com consciência do seu real e verdadeiro valor: A salvação chegou até nós, "porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu..." Is.9.6

Bem-haja

João Pedro Robalo

sábado, 5 de dezembro de 2009

O Clima, o Aquecimento Global e a Terra.

O tema aquecimento global que, será debatido estes dias em Copenhaga, Dinamarca, pelos principais líderes mundiais; surge, como um dos principais problemas que qualquer cidadão do mundo considera como preocupante e fulcral para o futuro da humanidade.

Apesar do que é referido na comunicação social, ensinado nas escolas e defendido pelas organizações ecologistas, a verdade é que, a comunidade cientifica não consegue chegar a uma conclusão; principalmente em dois pontos essências: Se o aquecimento é realmente global e se isso se deve à acção humana.

Sei que esta perspectiva causará um coro de protestos, mas não sei se o será por boa informação, ou por intoxicação da comunicação social. Não tenho qualquer dúvida que há uma "agenda" que os "Mídia" desenvolvem, por isso o que escutamos nem sempre é tão livre nem sequer ingénuo.
Não pretendo discutir aqui esta diferença de perspectivas que dividem a comunidade cientifica, remeto-vos para um bom artigo do Pr. Mal Fletcher (www.nextwaveonline.com/comment.asp?ID=265)

A minha abordagem é teológica e sobre tudo escatológicamente confiante.
Apesar de o homem ser irresponsável em muitos aspectos, sei que a Terra não lhe foi entregue, nem tem capacidade para decidir ou determinar o futuro deste planeta.

"A Terra é do Senhor..." Dt.10.14; Sl.24.1; 1ªCo.10.26
É teologicamente errado, ensinar que, pela queda de Adão a terra foi entregue ao diabo, o que se revela uma impossibilidade, pois Deus nunca a havia entregue ao homem.
A única coisa que o diabo adquiriu foi o domínio que, pelo pecado o homem transferiu para Satanás essa função, mas, a qual, o último Adão (Cristo), através da cruz recuperou essa autoridade perdida, para a exercer como Cabeça da igreja em domínio na sua posição à direita de Deus.

Outro aspecto importante de uma escatologia confiante, é a consciência da responsabilidade ecológica que os cristãos têm no mundo, para uma restauração completa de tudo, que é também uma expectativa da própria criação. (Rm.8.21)
Não só nos é restituída a condição de comunhão plena com Deus, tal como tínhamos no Jardim do Éden, como nos é oferecido em Cristo a possibilidade de domínio sobre a criação, não para a sua destruição, mas preservação e restauração. Sl.37.11 "Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na sua abundância de paz"

A minha abordagem a este assunto ecológico e de sobrevivência, não é científico, racionalista ou humanista, mas teológico. É crer em esperança contra a esperança; aquilo que vulgarmente chamamos fé, aquela que o nosso pai Abraão teve e devemos imitar.

Sei que o homem é egoísta, avarento, ambicioso de forma desmedida, etc., mas, também sei, e creio, na providência divina, na garantia Deus não se demitir da sua função de preservar e cuidar da criação estabelecida, do seu domínio que se estende de geração em geração e principalmente cuidar da sua obra mais importante, a terra, onde foi executado o plano restaurador de todas as coisas que conhecemos e desconhecemos através da encarnação do Verbo, da sua morte expiatória e da sua ressurreição que estabelece o vínculo da vitória.

O plano de Deus, não passa pela destruição do planeta terra, mas pela sua preservação e restauração - aliás se o contrário acontecesse a sua vitória sobre Satanás não seria completa.

Como cristãos devemos estar na linha da frente na preservação, conservação e respeito ecológico, num desenvolvimento sustentado, pois, somos apenas mordomos, não donos, da maravilha da criação divina; o planeta terra. Aliás uma das minhas canções preferidas é: "What a Wonderful World" de Louis Armstrong.

A minha perspectiva perante o futuro é de confiança, não tanto pelo que o homem pode ou não fazer, mas porque Deus não permitirá que entremos num descalabro descontrolável de destruição planetária.
Com isto, não deixo de responsabilizar e pressionar quem exerce poder para tomar decisões politico-económicas sustentadas na preservação do nosso mundo.

Como cristão faço a minha parte, quer tendo comportamentos ecológicos, quer confiando em Deus para o futuro deste belo planeta.

Bem-haja

João Pedro