sábado, 5 de dezembro de 2009

O Clima, o Aquecimento Global e a Terra.

O tema aquecimento global que, será debatido estes dias em Copenhaga, Dinamarca, pelos principais líderes mundiais; surge, como um dos principais problemas que qualquer cidadão do mundo considera como preocupante e fulcral para o futuro da humanidade.

Apesar do que é referido na comunicação social, ensinado nas escolas e defendido pelas organizações ecologistas, a verdade é que, a comunidade cientifica não consegue chegar a uma conclusão; principalmente em dois pontos essências: Se o aquecimento é realmente global e se isso se deve à acção humana.

Sei que esta perspectiva causará um coro de protestos, mas não sei se o será por boa informação, ou por intoxicação da comunicação social. Não tenho qualquer dúvida que há uma "agenda" que os "Mídia" desenvolvem, por isso o que escutamos nem sempre é tão livre nem sequer ingénuo.
Não pretendo discutir aqui esta diferença de perspectivas que dividem a comunidade cientifica, remeto-vos para um bom artigo do Pr. Mal Fletcher (www.nextwaveonline.com/comment.asp?ID=265)

A minha abordagem é teológica e sobre tudo escatológicamente confiante.
Apesar de o homem ser irresponsável em muitos aspectos, sei que a Terra não lhe foi entregue, nem tem capacidade para decidir ou determinar o futuro deste planeta.

"A Terra é do Senhor..." Dt.10.14; Sl.24.1; 1ªCo.10.26
É teologicamente errado, ensinar que, pela queda de Adão a terra foi entregue ao diabo, o que se revela uma impossibilidade, pois Deus nunca a havia entregue ao homem.
A única coisa que o diabo adquiriu foi o domínio que, pelo pecado o homem transferiu para Satanás essa função, mas, a qual, o último Adão (Cristo), através da cruz recuperou essa autoridade perdida, para a exercer como Cabeça da igreja em domínio na sua posição à direita de Deus.

Outro aspecto importante de uma escatologia confiante, é a consciência da responsabilidade ecológica que os cristãos têm no mundo, para uma restauração completa de tudo, que é também uma expectativa da própria criação. (Rm.8.21)
Não só nos é restituída a condição de comunhão plena com Deus, tal como tínhamos no Jardim do Éden, como nos é oferecido em Cristo a possibilidade de domínio sobre a criação, não para a sua destruição, mas preservação e restauração. Sl.37.11 "Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na sua abundância de paz"

A minha abordagem a este assunto ecológico e de sobrevivência, não é científico, racionalista ou humanista, mas teológico. É crer em esperança contra a esperança; aquilo que vulgarmente chamamos fé, aquela que o nosso pai Abraão teve e devemos imitar.

Sei que o homem é egoísta, avarento, ambicioso de forma desmedida, etc., mas, também sei, e creio, na providência divina, na garantia Deus não se demitir da sua função de preservar e cuidar da criação estabelecida, do seu domínio que se estende de geração em geração e principalmente cuidar da sua obra mais importante, a terra, onde foi executado o plano restaurador de todas as coisas que conhecemos e desconhecemos através da encarnação do Verbo, da sua morte expiatória e da sua ressurreição que estabelece o vínculo da vitória.

O plano de Deus, não passa pela destruição do planeta terra, mas pela sua preservação e restauração - aliás se o contrário acontecesse a sua vitória sobre Satanás não seria completa.

Como cristãos devemos estar na linha da frente na preservação, conservação e respeito ecológico, num desenvolvimento sustentado, pois, somos apenas mordomos, não donos, da maravilha da criação divina; o planeta terra. Aliás uma das minhas canções preferidas é: "What a Wonderful World" de Louis Armstrong.

A minha perspectiva perante o futuro é de confiança, não tanto pelo que o homem pode ou não fazer, mas porque Deus não permitirá que entremos num descalabro descontrolável de destruição planetária.
Com isto, não deixo de responsabilizar e pressionar quem exerce poder para tomar decisões politico-económicas sustentadas na preservação do nosso mundo.

Como cristão faço a minha parte, quer tendo comportamentos ecológicos, quer confiando em Deus para o futuro deste belo planeta.

Bem-haja

João Pedro

sábado, 7 de novembro de 2009

A Figura do Anticristo

Esta semana a República Checa, assinou o Tratado de Lisboa, que abre caminho para a implementação do mesmo, que origina, entre outras novidades, a criação de uma nova figura; o Ministro dos Negócios Estrangeiros da UE.

Com a criação desta figura, por enquanto sem personagem definida, apesar dos "jogos" de bastidores que já se perfilam, vamos de certo, assistir a uma clivagem, ou, pelo menos, derivação das tentativas falhadas em apontar uma figura pública com a terrível personagem bíblica do anticristo.

Até aqui, ainda na ressaca da perda das últimas eleições, muitos apontaram o novo Presidente dos EUA, Barack Obama, como a tal figura mítica.
Os artigos, vídeos, pregações e comentários - pobres de conteúdo, e falaciosos na Hermenêutica - encheram a Internet, Sites, Blogs, comunicação social religiosa, etc.

Com o surgimento deste cargo - que será uma aventura europeia - ainda sem contornos bem definidos, a tendência será para procurar, vasculhar e "dissecar" até à exaustão, todos os "sinais" ou semelhanças que o candidato apresentar, em relação a uma figura composta que, erradamente alguns sectores do cristianismo evangélico, continuam a tentar construir e sobretudo aguardam.

Esta postura que tem perseguido o pensamento e "práxis" cristãs, ao longo de décadas e demasiadas gerações, revela uma pobreza de conteúdo teológico, que acaba com esta triste realidade de ver uma igreja a aguardar uma figura inventada - o anticristo - em vez de esperar, isso sim, o Senhor que um dia virá para governar e completar a História.

Antevendo o espectáculo que se vai montar, proponho uma leitura simples e clara da Bíblia. Temos defendido tanto a Revelação escrita do Deus Judaico-cristão, ao ataque que Saramago encetou, que, apenas proponho uma simples leitura dos textos que falam desta figura que tem assustado tantos ao longo dos tempos.

Não coloco aqui os versículos exactos que nomeiam este substantivo: O anticristo.
Mas, como os únicos textos que falam desta personagem apenas surgem nas cartas do Apóstolo João, qualquer um de nós poderá fazer uma leitura rápida, contextualizada e sem pressuposto errados em poucos minutos.

Se nos cingirmos ao texto do Apóstolo, várias conclusões são possíveis que oferecem uma clarificação objectiva e clara sobre esta figura tão erradamente temida.

Uma exegese minimamente credível, consegue chegar a algumas conclusões objectivas:

1º Não é um, mas muitos anticristos.

2º Não é apontado para um futuro longincuo, mas era uma realidade presente nos dias do Apóstolo.

3º Estavam relacionados com a igreja, e, por razões várias apostaram na fé.

4º Não é uma figura personificada, mas um espírito do erro que domina pessoas em verdades fundamentais da fé cristã.

5º Uma doutrina do erro que nega a essência da cristandade e da revelação de Deus na História, negando, a encarnação de Jesus como o Cristo; o Messias prometido que veio salvar a humanidade reconciliando-a com o Pai.

Se não se procurar criar uma figura composta, com outros textos bíblicos que não usam o termo "anticristo", são estas as conclusões que se podem tirar, sem qualquer dificuldade nem sofismas.

A Bíblia, como palavra de Deus, merece que não vamos além do texto, nem fiquemos aquém, apenas, que se deixe falar o que o próprio por si próprio.

A Bíblia continua a falar, mesmo quando os ataques vêm de fora, como de dentro, aliás, são mais prejudicais as más interpretações e imaginações teologicamente infundadas, que os ataques que os ateus ou mesmo pseudo-ateus fazem às Escrituras.

Uma igreja que se distrai com inimigos fantasmas, perde eficácia, relevância e importância na sua missão principal: Fazer discípulos de todas as nações.

Não estou à espera de um anticristo qualquer, mas do verdadeiro que se deve esperar. O Cristo!

2ªTm.4.8 "Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas a todos os que amarem a sua vinda"

Eu amo e aguardo a Sua vinda, não a de outra figura qualquer.

Bem-haja

domingo, 25 de outubro de 2009

As Escolhas de Deus

Com toda a polémica que o escritor prémio Nobel da Literatura, José Saramago, suscitou à volta da Bíblia e do Deus que ela revela, muitos comentários, alguns aceitáveis, outros sem qualquer justificação, foram feitos.

Não ando ao sabor de agendas alheias sobre os temas a trazer à igreja na Figueira da Foz, mas também não estou alheado de tudo o que tem surgido ao redor, muito menos o que se insere no âmbito bíblico-cristão.

Não posso deixar de fornecer aos cristãos que estou responsável, as respostas - quando as tenho - sobre os temas problemáticos ou fracturantes que são levantados no quotidiano.
Este tema que José Saramago levantou - Caim e a escolha feita por Deus na oferta que os dois irmãos apresentaram - não pode ser ignorado pela comunidade cristã, muito menos reactivos de forma militante, mas, o esclarecimento, e sobretudo, deixar a Bíblia fornecer as respostas, deve ser a nossa postura coerente com as "provocações" que foram feitas.

Na sexta falei do relato que o autor se baseou, Génesis 4, mas enriquecido com todo os comentários que a Bíblia fornece. Não há um preferência divina tendenciosa sem uma causa.

No domingo, falei das escolhas de Deus. Estão mais nas nossas mãos, do que imaginamos, as causas e os factores que levam Deus a direccionar a sua atenção sobre nós.

Fé, voluntariedade e amizade; são características que devem existir em nós.
Deus não busca super-homens, mas pessoas que em situações de crise revelem fé, atitude voluntária e sobretudo amizade que gera confiança.

Consultem a nossa página na Internet: www.figueiraccva.org, para o desenvolvimento do assunto.

Bem-haja

João Pedro Robalo

sábado, 10 de outubro de 2009

O Prémio Nobel Da Paz

Tem causado alguma perplexidade e assombro a atribuição do prémio Nobel da Paz ao presidente dos EUA Obama.

Também eu fui apanhado de surpresa e considero que haja alguma precipitação nesta atribuição pelo júri do prémio.
No, entanto, os argumentos e preconceitos generalizados deixam no ar que, é possível, ainda não ter sido digerido ou ultrapassado o choque pela eleição de um Afro-americano para o mais alto cargo dos EUA.

Uns optam por considerar que é prematuro por ainda nada ter sido feito pelo actual presidente americano, mas, uma rápida observação geopolítica, pode-se verificar que, estamos perante um novo tempo no diálogo diplomático, perante uma nova possibilidade de desarmamento nuclear e que se lida com coragem e frontalidade com a questão mais sensível da geopolítica: O caso Israel-palestiniano.

Este é um aspecto em que nos cristãos, principalmente os evangélicos neo-pentecostais, assumem uma papel fundamentalista - tão criticado quando perpetrado pelo outro lado da trincheira - que só demonstra que, ainda não venceram um dos problemas que Tiago na sua carta apontou, como influencia diabólica e destrutiva da essência cristã: O sentimento faccioso! «Tg.3.14-16»

Este assunto leva-nos para outra questão, que me parece ser a causa da má vontade que os comentários "evangélicos" têm sido pródigos - tenho ouvido dos mais variados disparates, que me escuso comentar.
Se achamos, e bem que, Ahmadinejad tem um discurso fundamentalista, negando o Holocausto e fomentando o ódio contra os judeus; não podemos aceitar que os cristãos possuam um discurso inverso - em termos de trincheira - mas idêntico, ao achar que, a solução é exterminar ou expulsar os palestinianos da sua terra.

Aquela terra em termos Bíblicos, históricos, sócio-antropológicos e legais, não é de um dos povos em detrimento do outro.
Sei que estou acorrer um risco, porque na noção evangélica do conflito, qualquer "bom cristão" é do lado dos judeus e anti-palestiniano. É em certo sentido o ressurgimento do conceito do "eixo-do-mal".

A paz mundial - na minha perspectiva - passa pela expansão do reino de Deus; "justiça, paz e alegria no Espírito Santo" mas, para além deste pressuposto do cumprimento da missão da igreja na terra; considero que, em termos geo-políticos e estratégicos, o conflito Israel-Palestino é fundamental para o apaziguar de muitos conflitos culturais no Globo.

Considero por isso, que, Obama ao chamar à atenção o governo israelita, para alterar a sua política de expansão territorial, principalmente os colonatos da Cis-Jordânia e Faixa de Gaza, contribui para apaziguar em vez de acicatar ódios e muros tão enraizados entre estes dois povos.

Esta postura não lhe tira qualquer legitimidade para usar o poder e a força que possui, quando os abusos são cometidos de qualquer parte.
A paz não se constrói só com boas intenções, a força, quando necessária e justa, pode e deve ser empregada, para o bem comum.

Há uma distinção clara entre ser um pacificador e um pacifista. Jesus, chamou-nos a sermos pacificadores.
Os cristãos deviam incentivar todo o discurso político e acções pacificadores que promovam igualdade entre os povos e que diminuam as assimetrias sócio-económicas, bem como os direitos humanos, para a promoção de uma mundo mais justo, pacífico e com melhor qualidade de vida.

Também posso considerar prematuro a atribuição do prémio, mas não me choca, como vi entre muitos cristãos evangélicos, alguns perderam mesmo a cabeça nos comentários que fizeram.

Como a Bíblia ensina, oro pela paz em Jerusalém e também na Babilónia.

Bem-haja

João Pedro Robalo

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Integração dos Emigrantes

Portugal foi premiado pela ONU, como o país que melhor adaptou as leis para a integração de emigrantes na nossa terra natal.

Claro está que, a experiência no terreno revelará que nem tudo vai bem, nem sempre os empresários portugueses seguem este bom exemplo, aproveitando-se da fragilidade e ilegalidade a que alguns se encontram.

Esta notícia enche-me de orgulho em ser português.
Quando à poucos dias na campanha eleitoral alguns partidos usaram o fantasma da emigração - o perigo de roubar os empregos e recursos em detrimento dos nacionais - como um perigo a combater, e, com isso conseguir mais alguns votos; foi com tristeza que ouvi cristãos defender posições idênticas. Apenas lamentável.

Que a demagogia dos actores políticos seja lamentável, mas normal, ainda aceito, mas ouvir - como sucedeu - cristãos usarem o mesmo argumento para manifestar a sua posição politico-partidária, defendendo que os problemas nacionais, quer nos aspecto criminal, social e económico, são causados pela integração dos fluxos migratórios que Portugal também faz parte, é falta de cultura bíblica e desconhecimento do grande amor divino para com todos.

Deus deixou advertências muito sérias ao povo da 1ª Aliança sobre a importância no tratamento dos estrangeiros, até porque, afinal, essa era uma realidade conhecida deles.
Ex.23.9 "Não oprimirás o estrangeiro; vós conheceis o estrangeiro, porque foste estrangeiros no Egipto."

Não só estavam impedidos de qualquer tipo de opressão ou aproveitamento da situação fragilizada que os emigrantes entre eles se encontravam, como deviam expressar amor e aceitação, melhor dizendo, integração.
Lv.19.34 "Como o natural entre vós será o estrangeiro que peregrina convosco. Amá-lo-eis como a vós mesmos, pois foste estrangeiros no Egipto. Eu sou o Senhor vosso Deus."

Há uma clara obrigatoriedade humanista e ética cristã, para providenciar todo o apoio e condições para os que desejam fazer desta nação e povo a sua oportunidade de recomeço da vida.

O amor cristão que faz a diferença neste mundo, não se deixa influenciar pela demagogia xenófoba que dá votos e popularidade a alguns políticos da nossa praça.
Sabemos diferenciar o trigo do joio, entre os que abusam da nossa afabilidade e os que se integram.

Uma nação com valores cristãos, sabe receber, integrar e dar oportunidade aos que decidem - pelas mais variadas razões - fazer desta nação a sua nova casa.

Bem-haja

João Pedro Robalo

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Mães de Oração

Ao ler "As Confissões" de St. Agostinho, deparo com a afirmação atribuída ao Bispo de Cartago: "Vai em paz e continua a viver assim, porque é impossível que pereça o filho de tantas lágrimas."

Com este consolo, Mónica, a mãe de Agostinho, partiu para a sua continua tarefa de orar e sempre alertar o seu filho, para que, a situação dramática em que se encontrava, sofresse uma alteração profunda, o que, veio a suceder, como o próprio confessou.

Mães precisam-se, mas, das que, com fé, oração e dedicação; tudo fazem para contribuir de forma construtiva, para que os seus filhos de alguma maneira, no trajecto da vida, encontrem o propósito eterno pelo qual nasceram e existem.

Muitas vezes com amargura e dor, encontramos mães, sem saber o que fazer, e, como lidar com a rebeldia, incorrecção ou desfoque, em que os filhos se encontram.
Se não houver fé, se não existir esperança, nem qualquer âncora de segurança; qualquer mãe entra em agonia e desespero, perante as situações que todos os filhos em algum momento do seu caminho se envolvem.

Hoje, as mães, contentam-se com a satisfação materialista dos filhos, na base dos bens, imagem e condições para que tenham uma vida facilitada em todos os sentidos.
Contribuir para que os filhos possuam bens que os promovam socialmente, que frequentem os melhores meios para serem bem sucedidos e que, nada lhes falte para serem reconhecidos como actuais e modernos; é tudo, o que os progenitores e educadores consideram ser responsabilidade sua.

Mais que uma prestação de serviços parental, hoje, mães que oram, choram diante de Deus e ensinam os princípios cristãos, são necessárias.
Ana, a mãe de Samuel, com amargura do seu coração, encontrou no tabernáculo e no Sacerdote Éli, as palavras e o consolo que resultaram no milagre desejado.

Para as mães, que por alguma razão se encontram numa situação preocupante ou aflitiva, saibam que as vossas lágrimas derramadas diante de Deus, encontram eco e resposta para solucionar o que parece impossível humanamente.

Os filhos, de mães cristãs, mesmo não sabendo, são privilegiados, porque para além do amor materno natural, a fé e lágrimas derramadas, são ouvidas por quem dirige todas as coisas, e, que consegue concertar tudo: Deus!

Esperança e confiança, são o que caracterizam as mães cristãs na sua plena certeza que, os seus filhos não são gerados para a perdição, mas para cumprirem o propósito traçado por Deus.

Tenhamos fé, mesmo quando as lágrimas são a realidade do dia a dia; a oração que se sente é escutada, e, tal como o Bispo de Cartago disse: É impossível não ser respondida.

Bem-hajam

João Pedro Robalo

Nota: A minha referência ás mães, deve-se ao relato referido por St. Agostinho, porque considero, como é óbvio, que esta responsabilidade é mútua do casal, não só de um dos cônjuges.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O Legado de Gideão

Esta figura Bíblica, nomeada entre os heróis da fé, Gideão, oferece-nos algumas características para lidar e vencer crises que, tal como ele enfrentou, hoje, nós estamos a passar por situações que tem características idênticas.

Por exemplo: A economia estava de rastos, os midianitas pelo poder militar que possuíam, usurpavam todo o esforço laboral do povo hebraico.
Quando o povo clama a Deus no meio desta situação, Deus envia-lhes um profeta que lhes explica a causa da situação em que se encontram. Jz.6.10 "...Mas não deste ouvidos à minha voz."

É perante esta situação que surge a figura Gideão; o Anjo do Senhor encontra-o a resistir contra a situação catastrófica numa atitude inconformada, a tentar manter o fruto do seu trabalho contra as investidas dos inimigos.

A voz profética havia surgido na nação para mostrar a causa dos problemas em que se encontravam, agora, era necessário fazer algo que os tirasse do fosso em que se encontravam.

Como? Normalmente o esperado seria uma estratégia e plano para sair da crise; esta é a postura que todos desejam e costumam ter.
Deus não age assim, porque não deseja apenas fazer sair da crise, mas capacitar-nos para vivermos de forma superior a qualquer crise que surja.

Por esta razão Deus começa a tratar coma pessoa; o Gideão, o homem que tem receios, péssima auto-imagem e sobretudo muitas dúvidas, daí os sinais pedidos.
Convém realçar que o apelo tão actual a sinais como o fez Gideão, não é um acto de fé nem uma elevação espiritual, antes pelo contrário, é uma assumpção de fraqueza e perda do hábito natural de ouvir e conhecer a voz de Deus.

Todo o capítulo 6 de Juízes mostra Deus a tratar com uma pessoa valorosa, cheia de potencialidade, um líder nato, mas que devido à situação espiritual em que o povo se encontra, Deus é apenas uma memória distante e recordação dos grandes actos divinos do passado.

Não se pode vencer crises sem deixar que o Espírito Santo trate connosco.
Na verdade as crises, são a consequência da crise interna em que as pessoas se encontram espiritual e humanamente.

Só assim se compreende que Gideão tivesse em sua casa um santuário as dois deuses mais devastadores e desumanos da história daquela região.

Crises vencem-se colocando em ordem a nossa relação com Deus e removendo com tudo o que impede a boa sintonia nesta relação.
Quando estamos bem com Deus e connosco próprios - para mim uma coisa garante a outra - temos as ferramentas, meios, estratégias e capacidade para vencer qualquer crise.

Bem-haja

João Pedro Robalo

P.S. Para mais informação consulte o nosso "site" www.figueiraccva.org