terça-feira, 30 de junho de 2009

Quando o Milagre já não o é!

Assisti hoje uma reportagem em que Ana Rita (a mãe do Martin) mais a sua família foram a Fátima pedir à "nossa" Senhora um milagre para o regresso do filho a casa.

Este caso está envolto em muita coisa não explicada, mas sobre tudo sob paixões que toda a cobertura mediática proporciona.
Para que o interesse superior da criança seja preservado, não se pode colocar a justiça sob esta pressão, apesar de algumas vezes parecer que só assim se torna equitativa.

É precisamente esta reportagem que mostra o quanto estas pessoas, que a solicitaram, crêem em milagres.
Se alguém acredita que o sacrifício desta peregrinação pode realmente resultar em milagre, então para quê e porque a televisão lá?

O que esta postura parece revelar - convocar a comunicação social - é que, afinal, não há muita "fé" na devoção à Senhora de Fátima.
Este acto, que a comunicação social embarcou, parece mostrar mais uma jogada de marketing, para pressionar a justiça com a "opinião pública".

Se esta Senhora; Ana Rita, realmente cresse em milagres e na Senhora de Fátima para os realizar, simplesmente fazia a sua peregrinação de forma acatada e esperava que o "objecto" da sua devoção realizasse o seu pedido sem qualquer promoção mediática.

A fé não se compadece com "shows" que apenas têm o intuito de trazer a opinião pública para um lado ao mesmo tempo que se pressiona o outro.
Na verdade, caso os resultados lhe sejam favoráveis, temos uma milagre que já não o é, porque a ilegitimidade destes métodos deixam no ar a dúvida qual a razão da decisão que for tomada.

Um milagre que é, resulta de uma fé genuína que leva a agir, mas apenas confinado e recorrendo em quem depositamos a fé.
Com esta postura não sei em quem Ana Rita e a família crêem; se na Senhora de Fátima ou na força do quarto poder; a comunicação social.

A mulher que tinha um fluxo de sangue no seu corpo (relatada nos evangelhos), saiu de sua casa sem qualquer mediatismo para fazer o que havia proposto, e só foi descoberta, porque Jesus se apercebeu que d'Ele tinha saído virtude (poder para curar).

Estamos perante um possível milagre que á partida, já não o é, seja qual for o desfecho.
O triste é que este é o espelho da espiritualidade do povo português.

A fé genuína e que resulta em verdadeiros milagres, surge na solidão da decisão pessoal que leva alguém a crer que Deus é Deus e como tal é poderoso para realizar milagres na vida das pessoas.

É nesse Deus que creio e nesses milagres que espero e tenho visto.

Bem-haja

João Pedro Robalo

domingo, 28 de junho de 2009

Reconhecer Quem nos Acompanha

Os discípulos que percorreram o caminho de Emaús acompanhados por Jesus, estiveram várias horas com ele sem se aperceberem quem os acompanhava.

Muitos cristãos percorrem os caminhos da vida acompanhados por Jesus, e, tal como eles não reconhecem o amigo e conselheiro ao seu lado.

As discussões inúteis, a dor, a decepção, desilusão, etc. confundem e impedem de ver que não estamos sós nesta caminhada terrestre.

Mesmo com bom ensino e forte teologia podemos apenas ver à distancia sem proximidade, que só a comunhão e o partir do pão transmite e realçam.

A palavra de Deus transmite calor e energia ao nosso espírito, mas é a comunhão, o amor ao próximo, o desenvolver no outro a extensão do amor de Deus; revelam Jesus na sua plenitude e dimensão.

Estes são tópicos da mensagem partilhada na igreja este fim-de-semana na Figueira.
Se desejarem escutar podem aceder ao site: www.figueiraccva.org

Bem-haja

João Pedro Robalo

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Irão a Força da Razão

Os acontecimentos relacionados com as eleições no Irão estão a mostrar a mudança e a força que os meios actuais têm perante os regimes mais fechados e intransigentes na esfera global.

Se as religiões pensam que podem fechar hermeticamente as pessoas no seu livre pensar ou as sociedades na sua expressão livre de escolher o seu futuro; esta realidade que está a surgir no Irão, mostra precisamente o contrário.

Com isto, quero insurgir-me com alguma mentalidade religiosa, também nos meios denominados evangélicos, que pensam colar-se sempre ao poder vigente, como sendo a posição natural e mais ética, quando o povo e as massas estão numa direcção oposta.

O poder religioso Iraniano está colado ao poder que Ahmadinejad representa, mas o povo parece estar a seguir uma direcção diferente.
Lá como cá o mesmo paradigma e o mesmo erro de cálculo.

Em toda a revelação Bíblica, encontro Deus ao lado dos mais fracos, injustiçados, desprovidos dos mais elementares direitos, dos que sofrem, etc. com espanto verifico que as religiões - o Islão não foge à regra - aparecem coladas e cúmplices do poder temporal com todos os defeitos e problemas que acarretam.

A igreja cristã deve mostrar a diferença e voltar ao seu paradigma inicial; em que cuidava com afinco das viúvas, pobres, necessitados, doentes, desprotegidos, enfim; todos os marginalizados da sociedade encontravam lugar de aceitação, expressão e integração na comunhão dos santos.

O Estado pode e deve, desenvolver o seu papel social de apoio e contribuição financeira para aligeirar o fosso entre ricos e pobres; mas só a igreja consegue oferecer uma transformação ética da pessoa humana pelo novo nascimento, trazido á nossa acção e intervenção a favor de quem mais precisa de nós: Os pobres, necessitados e marginalizados.

Só a visão ética-espiritual da mentalidade judaico-cristã oferece a resposta - não apenas uma resposta - que resolve o problema do homem na sua totalidade, começando no interior e abrangendo holísticamente o sentido da vida humana.

O estado-social cria subsídio-dependentes; a ética cristã responsabiliza cada um pela situação e solução para cada caso de vida.

Com isto, parece-me que, as religiões são muito parecidas - apesar do que as diferenciam - na sua abordagem e relação com as sociedades e o poder.
O cristianismo adquire aqui a sua diferença quando volta ao seu estado original; e há igreja e cristãos que o conseguem plenamente.

A nossa voz critica em relação ao Irão não é um acto partidário ou político - como vejo alguns cristãos fazerem - apenas por posição ortodoxa de ligação a todos os grupos partidários de direita; mas é tão válida neste caso, como o foi, quando George Bush teve a triste ideia de trazer um conflito até hoje injustificado como a guerra e a invasão do Iraque.

Para que a nossa voz seja escutada e a nossa pregação tenha autoridade; temos de seguir o caminho traçado por Jesus; que sempre defendeu os necessitados contra os poderes instituídos; quer religiosos (Fariseus, Saduceus; Escribas, etc.) quer políticos (Pilatos, Romanos, etc.).

Tanto os religiosos poderosos do Islão, como do mundo ocidental precisam perceber que os cristãos, estão comprometidos com quem sofre e lhes são negados os mais elementares direitos humanos, direitos esses, que são a essência do amor divino demonstrado pelo envio de Jesus como Filho de Deus a este mundo.

Quando falhamos neste assunto - infelizmente já sucedeu vezes demais - outros ocupam o nosso lugar, mas com abordagens inferiores incapazes de responder na totalidade à necessidade plena do homem.

Levanto a minha voz neste Blog em relação ao que sucede no Irão assim, como, me preocupa, esta viragem Europeia para o neoliberalismo como resposta à crise financeira mundial.
Compreendo e reconheço a diferenças entre as duas situações, mas não tenho uma mentalidade de "cruzada" mas cristã na abordagem dos problemas e crises mundiais.

Espero e oro a Deus para que todos estes incidentes resultem numa viragem iraniana histórica que promova a paz e a reconciliação nacional, pois tal efeito será benéfico para todos em geral.

Bem-haja

João Pedro Robalo

sábado, 20 de junho de 2009

Casos de Vida

Este Domingo irei abordar situações práticas de vidas relatadas nos evangelhos cuja acção de fé inédita resultou em grande livramento e bênção divina para os intervenientes.

Escolhi propositadamente mulheres que se encontraram com Jesus, devido à sua fragilidade e incapacidade social para resolver o problema que estavam a passar.

Começo pela mulher que é relatada - sem nome - como tendo um fluxo de sangue que durava doze anos, sem solução clínica, mística - as ervanárias e o pessoal das mezinhas, etc. nada puderam fazer - sozinha e quase sem dinheiro, pois a doença havia-lhe esgotado os recursos por completo.
A sua fé, com o auxilio da confissão; levaram a que saísse da sua condição através da fé e ousadia, ao encontro de Jesus e fazer o que propôs no seu coração.

A fé em Jesus - não uma fé qualquer - quando é genuína e gerada no mais profundo do ser só pode descobrir formas e meios originais de trazer a solução para qualquer situação que estejas a encarar.

O outro exemplo surge da mulher referenciada pela sua etnia (cananeia) que desperta em Jesus os mais elevados elogios, mesmo após um tratamento tão discriminatório e deselegante, quer da parte de Jesus, quer dos seus discípulos.
Apesar disso tudo e da forma como foi tratada, não desanimou, antes continuou argumentando e tirando qualquer possibilidade de fugirem ao problema que lhes estava a apresentar.

A fé que faz mover Deus no céu para a nossa realidade não se ofende, nem desiste quando surgem situações inesperadas ou incompreensões no processo.
"Grande é a tua fé" disse Jesus; "Seja feito conforme desejas".
Tantas são as pessoas que se ligam ao aspecto "desejo" para reclamar a sua bênção, esquecendo que só uma fé deste género - que não se ofende - consegue alcançar os desejos do coração.

Por último, faço referência a mais uma mulher que é conhecida pela sua região; Naim.
Viúva e agora acompanha um defunto, o seu único filho.
Uma situação de desespero total, qualquer dos recursos humanos para a sua sobrevivência haviam partido, o que significava incerteza perante o futuro.

Neste relato não surge qualquer acto ou afirmação de fé da parte desta infortunada mulher, antes, Jesus em compaixão age e ressuscita o seu filho moribundo.
Neste caso, o tipo de fé - que aparentemente não se vislumbra nesta personagem - não está explicito, mas implícito.

Uma multidão acompanha esta mulher na sua dor e desgraça, não apenas por pena ou misericórdia, mas pelo exemplo e respeito que perante tantas situações desesperadas, alcançou dos seus concidadãos.

Fé não são só acções momentâneas ou confissões corajosas, mas também um estilo de vida que causa respeito e honra entre todos os que nos conhecem.
Jesus honra essa fé: "O meu justo viverá pela fé"

Se desejarem escutar ou ver a mensagem, podem fazer o download em: http://www.figueiraccva.org/

Bem-haja

João Pedro Robalo

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Tempos de Esperança

Em dias conturbados como os actuais, sempre surge alguma perturbação interior que pode afastar a esperança, principalmente daqueles, de quem é esperado não lançar mão da esperança proposta.

Há um ditado popular que diz: "A Esperança é a última a morrer", pessoalmente, apesar de correr o risco de ser considerado utópico, prefiro afirmar que: "A Esperança não morre!".

A esperança só morre quando apenas conta com a força interior pessoal, humana e até relacional, ou seja, dependente do ambiente e ânimo ao nosso redor.
Os amigos, familiares, companheiros e irmãos em Cristo, são por excelência os melhores incentivadores para não perder a esperança. No, entanto, a Palavra de Deus - A Bíblia Sagrada - têm todos os ingredientes naturais e sobrenaturais para ser o verdadeiro impulsionador da esperança do cristão nos dias actuais.

O Apóstolo Pedro, antes de deixar este mundo de forma tão dramática,escreveu na sua carta: 1Pd.4.7-8 "Já está próximo fim de todas as coisas. Portanto, sede sóbrios e vigiai em oração. Tende antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados"

Só alguém que não permite que a esperança morra na sua vida e perspectiva é capaz de oferecer conselhos que irão ser úteis e fundamentais para enfrentar os dias que se aproximavam.

Pedro, como os outros autores neotestamentais tinham uma percepção dada pelo Espírito Santo que estavam a viver um momento de transição que chamavam: "O fim dos tempos"

Perante a expectativa de dias que seriam conturbados, Pedro oferece resposta funcional que se aplicam a todos os tempos e momentos da história humana.
Sermos sóbrios, vigiar em oração e sobretudo enfrentar qualquer situação com amor ardente; são conselhos relevantes que oferecem esperança para qualquer situação ou momento que atravessemos.

A esperança nunca morre, os dias actuais enfrentam-se com esperança e não com falta dela, por isso, olhemos para estes dias com uma certeza; a nossa atitude que demonstra fé em Deus, não só oferece esperança pessoal mas é um factor de estabilidade para o outro que tem oportunidade de se relacionar connosco.

Actos e discurso de esperança - Palavra de Deus aliada a uma conduta condizente - em tempos de desespero, faz a diferença fundamental nos dias que vivemos.

Bem-haja

João Pedro Robalo

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A Primeira Pandemia do Séc. XXI

A organização Mundial de Saúde, decretou a gripe (A) como a primeira Pandemia do novo século.
Não por causa do descontrolo em que a doença se encontra – já começam a surgir hipóteses de uma vacina – mas devido ao número de países onde surgiram casos de pessoas contaminadas, ou seja a propagação geográfica que o vírus atingiu.

A história da humanidade está repleta de épocas negras de epidemias que causaram várias catástrofes com a morte de milhares e por vezes milhões de pessoas.

Hoje quando surge a possibilidade de algo minimamente semelhante suceder, uma histeria comunicacional surge por todos os órgãos de informação, que, em nada beneficiam o esclarecimento e a consequente maturidade na forma, meios e métodos para melhor encarar e combater o problema.

Actualmente, devido ao progresso cientifico e tecnológico alcançado, as consequências são amplamente diminuídas e controladas – com isto não quero desvalorizar cada vida que se perde com esta doença – pelo que, as dimensões de disseminação e mortes são em números muito inferiores ao que seriam sem os meios actualmente ao dispor.

Talvez por isso os discursos alarmistas parecem ter desaparecido - ou são menos visíveis - no plano evangélico que aproveita sempre qualquer crise ou epidemias para justificar a sua visão catastrófica e pessimista dos tempos que estamos a viver.

Como cristão considero que estes são tempos de oportunidade para mostrar clareza de espírito perante momentos de dificuldade acrescida.

Dou graças a Deus pelo avanço tecnológico e científico, mas não deixo de crer e exercitar a fé perante situações que põem em risco a vida das pessoas.

Não são tempos para acusar ou tentar encontrar justificações para o problema surgido, mas são de oportunidade para mostrar a verdadeira essência do amor cristão.
O Apóstolo Pedro escreveu que: “O amor cobre uma multidão de pecados” e o que as pessoas necessitam quando afortunadamente se encontram numa situação de fragilidade é de mãos estendidas, compaixão efectiva, empatia, uma palavra de esperança e acima de tudo vidas que apresentem Jesus ressuscitado com poder para oferecer respostas fiáveis de amor e poder de Deus.

Não são tempos de manipulação mas de compaixão; de dificuldade mas de oportunidade; de culpabilização fácil mas de justiça divina que está assente no amor de Deus que ofereceu o seu Filho amado para salvar e curar o nosso mundo doente.

Este é um tempo que os cristãos verdadeiros têm algo de relevante a oferecer à sociedade.

Bem-haja

João Pedro Robalo

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A Europa em Contraciclo

As eleições europeias neste fim-de-semana, revelou uma escolha óbvia e clara na força política que irá definir os destinos europeus nos próximos anos.
O PPE saiu reforçado e legitimado para seguir o seu caminho neo-liberal de política financeira, que confia na economia de mercado sem interferências excessivas de qualquer regulador.

Se compararmos esta tendência com a dos EUA, só podemos chegar à conclusão que, a Europa segue um caminho de contra-ciclo, reforçando os que crêem no neo-liberalismo e desconfiam em qualquer regulador que impeça o mercado de funcionar livremente.

A minha preocupação está, em que, não se tirou devidamente as conclusões que uma crise financeira - iniciada nos EUA - tão profunda e forte pressupunham.

Por outro lado há sinais muito preocupantes que este acto eleitoral europeu nos trouxe.
Ao contrário do Presidente Alberto João Jardim - que parece pedir uma suspensão da democracia devido ao crescimento das forças de extrema esquerda - os sinais preocupantes são o crescimento das forças anti-Europa, nacionalistas, xenófobas e até grupos que nada têm a ver com o fortalecimento do sentimento europeu.

Quando são eleitos representantes que vão a votos por causa do livre uso da Internet, modelos de "passerele" ou o caso de Le Pen em França; esses sim preocupam-me e deixam-me intranquilo em relação ao futuro deste continente que me parece ter entrado numa perigosa espiral de alienação em relação à construção europeia.

Vejamos o que isto vai dar, mas ninguém esqueça que o espectro europeu do desentendimento através das armas que resultaram nas últimas duas grandes guerras, não está assim tão distante que nos deixe descansados - porque foram ambientes idênticos que levaram o Nacional Socialismo ao poder na Alemanha.

Como cristão e confiante no controlo global divino sobre a história humana, estou descansado, no entanto como pessoa, preocupado com o preço que se tenha de pagar com as decisões de fundo
que uma Europa magoada e desconfiada toma, nesse caso, estou preocupado.

João Pedro Robalo