segunda-feira, 19 de abril de 2010

O 5º Funcionário!

Aplica-se não só à função pública mas a todo o país. Está fenomenal...


ERA UMA VEZ... 4 funcionários públicos chamados Toda-a-Gente, Alguém, Qualquer-Um e Ninguém.

Havia um trabalho importante para fazer e Toda-a-Gente tinha a certeza que Alguém o faria. Qualquer-Um podia fazê-lo, mas Ninguém o fez. Alguém se zangou porque era um trabalho para Toda-a-Gente. Toda-a-Gente pensou que Qualquer-Um podia tê-lo feito, mas Ninguém constatou que Toda-a-Gente não o faria. No fim, Toda-a-Gente culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquer-Um poderia ter feito.

Foi assim que apareceu o Deixa-Andar, um 5º funcionário para evitar todos estes problemas.

domingo, 4 de abril de 2010

Em Defesa da Teologia da Prosperidade (2ªparte)

O nosso registo no meio cristão evangélico é essencialmente bíblico, ou seja, qualquer premissa que possa ter suporte escrituristico consolidado, considera-se teologicamente aceitável.

Uma teologia da prosperidade, só pode ter qualquer suporte válido, se encontrar por toda a Bíblia, uma directriz contínua que desenvolva uma ideia forte de um propósito divino para as pessoas que correspondam aos requisitos necessários para a sua realização.

Talvez o título que é atribuído ao pressuposto não seja o ideal; por exemplo: Cremos no amor inquestionável de Deus em relação à humanidade, mas não usamos a expressão: Teologia do Amor – se calhar devíamos, mas não o fazemos – assim como a outros pressupostos bem clarificados de teologia cristã.

Esta expressão assumiu uma carga negativa, na reacção a uma escola teológica surgida em meados do século passado, principalmente entre os carismáticos – área evangélica onde possuo raízes formativas importantes – que acentua a possibilidade de ultrapassar condicionalismos de todo o género, incluindo o aspecto económico.

Talvez hoje, com alguma distância, não nos apercebamos, como a carga negativa em relação a posses, consumismo e bem-estar económico; eram vistos como algo pejorativo e a ser rejeitado por todos os “espirituais”, principalmente aos que serviam no ministério.

Conheci muitos filhos de pastores e obreiros evangélicos, como os quais confraternizei, e não esqueço as mágoas, revolta e dor com que alguns viveram, impedidos de desfrutarem uma adolescência e juventude saudável, por dois motivos principais: Tinham de ser exemplo para todos na igreja – o que era normal para os outros filhos, era-lhes impedido, sem qualquer justificação, a não ser o facto de os pais servirem como pastores.

A segunda razão, grave em muitos casos, foram as necessidades que tiveram de passar por causa da infidelidade dos membros da igreja onde estavam, e, pior, o conceito errado que para servir a Deus era necessário passarem necessidades.

Com mágoa e tristeza ouvi relatos impressionantes de jovens que lhes foi impedido uma alimentação correcta, brinquedos comuns e até o simples entretenimento, como era o caso da televisão, por ser pecado – como cheguei a ouvir num cântico brasileiro “o olho do diabo”.

Claro está que, a reacção não pode ser justificada em si mesmo, ou seja, não é por haver perspectivas erradas que construímos uma teologia incorrecta.

Penso ser de senso comum e aceitável a todos não haver qualquer dúvida ser o desejo de Deus que possamos prosperar, não quero maçar com elevado número de textos onde essa ideia ganha forma continuada que consubstancia o conceito.

Peguemos por exemplo no discurso divino na escolha e mandato para Josué assumir o seu papel substituto de Moisés na concretização da tarefa de levar o povo hebreu à herança prometida.

Js.1.8 “Não se aparte da tua boca o livro desta lei (Torah); medita nele dia e noite, para que tenhas o cuidado em fazer conforme tudo o que nele está escrito. Então farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido”

Este versículo usa uma das cinco palavras hebraicas que é traduzida para a nossa língua por prosperidade: “Tsälëach” que, de acordo com o dicionário Hebraico Strong; é a raiz primitiva para empurrar com força (em vários sentidos), quebrar, passar por cima, ser bom ou ser rentável.

Deus, após a morte de Moisés – uma perda irreparável para muitos – tem esta “conversa” com Josué, no intuito de lhe transmitir confiança para a tarefa árdua, mas possível, que estava à sua frente.

É dentro deste âmbito de perspectiva que a prosperidade se encaixa como uma luva, ou seja, Deus a procurar incentivar o seu servo para a tarefa que lhe propõem.

Prosperidade não é uma mera questão de possuir mais ou menos riqueza. Acho que algumas pessoas que se levantam contra este conceito - para mim bíblico - apenas o fazem porque olham para esta condição na perspectiva económico-financeira, mas, “empurrar com força” para um cargo e uma responsabilidade, que poderia ser assustadora para o novo líder desta tão grande nação, é uma demonstração de confiança de quem fez a escolha e nomeou o líder: Deus.

Animar Josué para a tarefa, prometendo que o faria prosperar no caminho (cargo/função) que agora iniciava, não era fácil nem líquido; Josué havia passado de “moço de recados” de Moisés, para o líder máximo de um povo que procurava encontrar um lar de descanso – todos sabemos como é difícil e controverso quando se está num processo nómada e sem destino.

Josué tinha agora sobre os seus ombros uma tarefa gigantesca que envolvia continuidade e originalidade – continuidade pela tarefa iniciada por outro; e originalidade por ter formas e meios diferenciados dos anteriores; além de uma nova realidade: Agora iriam passar de vez o Jordão.

Este exemplo de Josué, é um ponto de partida para o conceito e a teologia que pretendo defender nestas reflexões.

Creio ser da vontade divina que os seus filhos, nas tarefas que são investidos possam prosperar em tudo e ser bem-sucedidos, não encontro dificuldade em aceitar que Deus deseja a nossa prosperidade, não para amealhar algum dinheiro, mas para dar sentido à existência e propósito na vida.

Não rejeito o conceito da teologia da prosperidade, que para mim tem fundamento bíblico, só porque alguns – infelizmente demais – usam o epíteto para um mau uso e interesse pessoal.

Este foi mais um contributo regular sobre o que penso a respeito da “Teologia da Prosperidade”

Bem-haja

João Pedro Robalo

quinta-feira, 25 de março de 2010

Em Defesa da Teologia da Prosperidade! (1ª parte)

Desejo iniciar uma reflexão que considero séria e necessária. Tenho assistido de trincheiras diferentes ataques, ao que considero ser, relevante e fundamental para sustentar um boa teologia, que permita uma vivência sadia nos tempos actuais.

A denominada “Teologia da Prosperidade”, que alguns desvalorizam e ridicularizam enquanto outros defendem com interesses pessoais que nada têm a ver com o evangelho.

Pessoalmente, não considero errada uma teologia que defenda prosperidade em todos os aspectos na vida cristã.

Ressalvo o sentido atribuído à palavra prosperidade, porque talvez a confusão e problema surja logo na etimologia da palavra e qual o aspecto prático que deve ser tirado para os nossos dias na vivência cristã.

Prosperidade, nunca se limitou ao aspecto monetário, económico e financeiro, apesar de também englobar essa realidade tão essencial nos dias actuais; basta ver as reivindicações das centrais sindicais e observamos como o poder de compra é a base para jornadas de luta e greves gerais que alastram, não só pelo país, como pelo mundo inteiro.

Por razões que desconheço, alguns “profetas” completamente alheados das realidades actuais, acham que esta é uma questão menor, periférica ou insignificante, mas por vezes essa posição esconde uma avareza diabólica controladora que não quer reconhecer, mas é evidente nas suas observações e postura perante a vida.

Desde já afirmo que não pouparei os “cristãos” que roubam a Deus, que servem Mamon pela sua avareza, que invejam o que é depositado na bolsa - tal como Judas o fazia - além de ter o descaramento de a roubar, aliás este é o comportamento comum destes pretensos defensores de uma liberalização económica, que visa apenas o lucro pessoal aliado à desresponsabilização pessoal no uso dos meios financeiros proporcionados por Deus.

O sentido de mordomia cristã perde-se de duas maneiras, qualquer uma delas devastadoras para a conduta cristã, como para o reino de Deus: Primeiro pela manipulação do amor cristão que caracteriza os crentes, impondo obrigações não bíblicas nem bem fundamentadas na doutrina sã, que manipulam o que há de melhor nestes cristãos; o seu desejo de servir e abençoar. Em segundo, no outro extremo, encontra-se a “liberalização” total, sem compromisso dos cristãos para com a comunhão onde estão inseridos, considerando que não há dever da sua parte em sustentar a igreja, nem lhes será requerida por Deus responsabilidades nesse aspecto.

Para esta defesa da “Teologia da Prosperidade” abordarei algumas questões que acho pertinentes:

1º Em que sentido, podemos esperar prosperar.

2º Continuidade versus descontinuidade (Este aspecto é essencial para consolidar uma teologia não descompartimentada, tão usual em algumas posições actuais)

3º Mordomia cristã que realça uma vida cristã responsável, saudável e repleta de boas obras que nos acompanham quando a nossa jornada terrestre terminar.

É possível que outras questões pertinentes surjam nesta reflexões que se seguem, mas esta orientação serve para apresentar o que me proponho tratar desde já.

Bem-haja

João Pedro Robalo

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Também vou Construir um Castelo...

Tal como o grande Autor Fernando Pessoa, quero ser feliz e construir um dia um Castelo, nem que seja nas nuvens!

UM DIA VOU CONSTRUIR UM CASTELO

(FERNANDO PESSOA)

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,

mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


(Fernando Pessoa)


domingo, 21 de fevereiro de 2010

Guerras e Rumores de Guerras!

Escutei com perplexidade, uma "revelação" que me espantou, pela ousadia, num programa de cariz evangélico televisivo, alguém com reconhecida capacidade afirmou ter compreendido pela primeira vez o sentido da expressão bíblica: "Guerras e rumores de guerras!"

De acordo com o proponente, quando os evangelistas falam de "rumores de guerras" é uma referência directa ao surgimento do terrorismo, agora um assunto tão pertinente nos meios de comunicação.

São "revelações" deste género que tiram crédito à Palavra de Deus. Quando se procura actualizar as profecias de Jesus, consoante vão surgindo novidades, ou novos contornos da história, que precisam encaixar na escatologia pré-determinada, para que continuem a fazer sentido, as previsões que já tantas vezes falharam, só podemos lamentar e não deixar de denunciar.

Tanto no Evg. de Marcos, como de Mateus, onde surge esta palavra "rumores" no grego «akoë» que transmite a ideia de: Ouvir, ou o acto de escutar algo; nada procura transmitir além de um reforço de todo o ambiente aterrador que qualquer guerra, ou informação sobre essa possibilidade transmite aos ouvintes dessa realidade terrível e próxima.

No Evg. de Lucas, a palavra é substituída por «Revoluções», "Akatastasia" que realça o sentido de: Confusão, instabilidade ou tumultos.

Poderão argumentar que escutar algo que aterroriza, cria instabilidade ou gera tumultos, pode ser interpretado com actos de terrorismo. Eu contra-argumento com o facto que as guerras e qualquer ideia da sua proximidade fazem o mesmo, não me parece necessário fazer este "ajuste" mediático e oportuno para algo que deve ser mantido do seu sentido original e primário tendo em vista o primeiro ouvinte como regra de uma boa interpretação.

O que mais me incomoda nesta facilidade interpretativa, é o conceito que a rege, ou seja, quando surge uma ideia, mesmo que não se consiga contextualizar, nem fortalecer com base bíblica, por "encaixar" ou ser original, passa a ser tida como fidedigno ou "revelação" final.

A Palavra de Deus não pode ser tida com esta leviandade, não pode andar ao sabor dos caprichos interpretativos de cada um, tem de ser respeitada e honrada com tal, ou seja; como Palavra de Deus que é na realidade.
Este é o único caminho para que, os que nos escutam percebam o valor que lhe atribuímos e o respeito que lhe temos, ao ponto de não acrescentar, nem tirar nada além do que nos transmite.

A interpretação que fazemos dos chamados "Fins dos Tempos", revela o respeito e compromisso que temos com as Escrituras Sagradas, pois não forçar o texto de forma que encaixe na nossa escatologia, revela até que ponto a Bíblia é ou não para nós na sua totalidade, sem qualquer reticência, a Palavra de Deus.

Este relato de Jesus, como profeta que é, sobre o que é chamado vulgarmente de "A Grande Tribulação" foi delimitado no tempo e espaço, ao contrário que muitos fazem, alargando e estendendo no tempo e espaço a sua realização.

Mt.23.36 "Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração"
O discurso que antecede os pormenores deste tempo que seria encurtado por causa dos santos, começa com uma afirmação temporal que procura situar o relato dos acontecimentos a uma geração, não para além dela, nem estendida no tempo sem definição clara.
Mt.24.34 "Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam"
Para não existir dúvidas sobre o tempo a que estes acontecimentos se devem encaixar, não ir para além deles, Jesus reforça esta ideia geracional para o seu cumprimento.

Já naquele tempo haviam actos que podem ser considerados terroristas, ao ler Flávio Joséfo, somos confrontados com relatos entre os judeus da geração terminal, que insensíveis ao sofrimento do seu próprio povo, por questões de fanatismo religioso e político, auto-destruíram-se de formas ignóbeis e desumanas.
Contudo, não posso afirmar que é uma referência clara a esse tipo de acções, pois seria forçar o texto ou perder esta objectividade de compromisso com a Palavra de Deus.

Nos dias actuais, as previsões Maias, Nostradamus, islâmicas ou até evangélicas de teor dispensacionalista - há muitos evangélicos que são pós-milenistas ou preteristas - não me incomodam nem deixam perturbado, aliás, se observarem com atenção é essa a intenção de Jesus, sossegar os seus discípulos, e, é porque estou seguro que o tempo para se cumprirem estas guerras e os rumores delas, foram para um determinado tempo bem definido pelo Messias, que permaneço seguro sem perturbação, mesmo com relatos noticiosos devastadores.

Considero ser de maior valor e integridade intelectual aceitar que Jesus sabia definir tempo, por isso, não fez estas afirmações com segundas intenções, nem para cada geração achar que é o seu tempo onde as tais profecias devem ser enquadradas.
Acho até ser de uma certa presunção considerar que é sempre o seu tempo onde estes acontecimentos se dão.

É certo que iremos escutar sobre guerras, talvez não tão destrutivas como no passado recente, apesar do arsenal existente para tal, mas daríamos um melhor contributo se não forçássemos o texto, só para encaixar um ideia que nos surgiu, ou pior, querer ter protagonismo neste assunto.

Tal como foi objectivo de Jesus, sempre que tocou estas questões, fê-lo, para deixar os cristãos tranquilos e em paz perante qualquer incidente que surja, da mesma maneira, quando decidi escrever sobre o que escutei, sem nomear ninguém, porque não é uma questão pessoal, mas de conceitos, espero ter ajudado a sossegar a alma de cada um.

Bem-haja

João Pedro Robalo

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Valor da Pregação

Assisto actualmente a uma desvalorização da pregação do evangelho generalizada entre os cristãos.
É comum ouvir referências sobre a pobreza e ineficácia da igreja quando "meramente" prega o evangelho, sem outro envolvimento em causas sociais.

Considero extremamente importante e vital, a igreja desenvolver trabalho social na cidade ou região onde se encontra. O reino de Deus será implantado quando respondemos de forma ética e prática a todas as necessidades da sociedade.

Contudo, não me parece correcto desvalorizar o mandamento que Jesus nos deixou: Pregar o evangelho e ensinar a guardar todas as coisas que no mandou em todas as nações.

Pregar nunca será algo superficial ou secundário. Pregar o evangelho é central, é a nossa grande responsabilidade e nunca perderá o seu valor intrínseco que capacita a mudança radical do Ser humano.

A palavra grega traduzida por «pregar» tem o sentido de proclamar como arauto de forma pública, audível e como vencedor.

Mais do que fazer um discurso interno, é uma mensagem que pode surgir numa conversa amigável, em família, entre desconhecidos ou até para nós próprios.

Por tudo isto a pregação na congregação também não deve ser desvalorizada, porque surge em todos estes lugares referidos, pelos ouvintes.

Pregar desperta a fé (Rm.10.8-10 "...isto é , a palavra da fé que pregamos... se com a boca confessares e com o coração creres") a pregação, seja em congregação ou em qualquer outro lugar, desperta e desenvolve a fé. Apesar de necessitar de obras, a fé não surge por elas, mas pela Palavra.
Semente incorruptível (1ªPd.1.23 "Tendo sido regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela Palavra de Deus, a qual vive e é permanente") Só a Palavra de Deus possui esta característica única, independente do mensageiro ou interlocutor, ela permanece incorruptível e intacta em toda a sua natureza e virtude.

Loucura sábia (1ªCo.1.21 "Aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação") Será que Deus se enganou quando optou por este meio? Ou será que somos tão sábios que dispensamos os meios e métodos divinos para salvar pessoas. A única loucura saudável e sadia vem do Pai das luzes.

Poder de Deus (1ªCo.1.24 "Pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus") Não imaginas o poder que está envolvido quando pregas, quando anuncias a boas novas do céu, desvalorizar a pregação é erro fatal para o crescimento da igreja.

A lógica do reino (Rm.10.14-15 "Como invocarão em quem não creram? Como crerão naquele de quem não ouvirão? Como ouvirão se não há quem pregue? Como pregarão se não forem enviados?") Só invocarão a Deus quando esta sequência natural é seguida. Na maior parte dos cristãos há uma desresponsabilização, porque não se consideram enviados, mas este envio referido, não creio que se refira a um trabalho missionário que qualquer igreja desenvolve enviando alguém. Mas, creio ser uma referência à ordem de Jesus a cada um de nós.

Prega a palavra a tempo e fora de tempo, foi o conselho dado por Paulo a Timóteo, que me parece ser aplicável a todos nós. Prega a Palavra!

Bem-haja

João Pedro Robalo

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Alargar a influência

Desde a alguns anos para cá, Deus tem-nos concedido palavras, frases ou versículos chave, com os quais afinamos as nossas agulhas para investir em alvos específicos.

Não se tratam de condicionalismos ou programações fechadas, mas temas que se tornam «lemas da alma», para que, a esperança fortaleça a fé perante os desafios e obstáculos quotidianos.

Desde o final do ano 2009 que venho sentindo uma direcção específica, a qual neste domingo comuniquei à igreja, baseada num versículo de Isaías (54:2) "Amplia o lugar da tua tenda, e as cortinas da tua tenda se estendam, não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas."

Esperei quase um mês para o divulgar à comunidade de crentes que se reúne no CCVA em Figueira da Foz, porque sei quão perigoso pode ser este versículo, quando mal interpretado, aplicado ou até manipulado para usos de interesse pessoal.

Deus deseja, isso estou certo, que alarguemos a nossa área de influência em todos os sentidos; pessoal, ministerial, familiar, profissional, social e espiritual. Mas o que significa, ou em que termos esta influência se estabelece?

Não tenho para já respostas fixas ou pré-definidas - que me desculpe quem esperava resposta fácil - mas linhas de orientação que me dão confiança suficiente, para seguir e "arriscar" mesmo sem todos os detalhes ou pormenores.

Só de olhar para o texto em si, três coisas posso desde já concluir:

1º Fé é necessária.
Sem ela (fé) a comodidade e o conforto são seguros e suficientes para qualquer um se sentir satisfeito e realizado. No entanto, quando um sentido de responsabilidade nos assalta, ficar na mesma e no mesmo lugar é doloroso demais para ser suportado, por isso, está na hora de saltar do barco e andar sobre as águas, tal como Pedro o fez na confiança da palavra (vem) dada pelo Mestre.

2º Caminho desimpedido.
Quando o autor nos avisa: "Não o impeças" coloca as coisas no devido lugar. São os nossos preconceitos, manias, precipitações e egoísmos que impedem Deus criar condições para alargar a nossa esfera de influência, e, até mesmo trazer bênçãos à nossa vida.

A nossa tarefa, por vezes, passa mais por sabermos estar sossegados e entender quando agir, do que qualquer outra "técnica" de liderança ou estratégia que tenhamos aprendido.

Saber libertar dos embaraços da vida é meio-caminho para a abundância e virtude divinas na nossa realidade.

3º Firmeza.
Finalmente, a firmeza em tudo o que pensamos, cremos e realizamos; será a grande virtude que proporciona a realização e manutenção dos resultados que desejamos ver surgirem na nossa realidade vindos céu.

São imensos os prejuízos que acumulamos, por sermos inconstantes e impacientes. Gente firme que vai até ao fim do caminho, persiste em seguir, quando outros desistem, permanece confiável e constante, quando tantos oscilam conforme o estado de alma; são aqueles que verão a sua "tenda" ser ampliada, alargada e firmada, quaisquer que sejam as circunstâncias.

Bem-hajam

João Pedro Robalo

Nota: Esta mensagem pode ser escutada ou visualizada em; http://www.figueiraccva.org/


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Deus não está ensaiando...

Hermes C. Fernandes

Foi o Criador quem disse: “Eu anuncio o fim desde o princípio”! Jamais entenderemos o fim, sem compreendermos o princípio de tudo. Tudo está conectado. Tudo faz sentido.

Toda a confusão que se faz em torno da escatologia, se deve à negligência quanto ao início de tudo.

Por que tantos defendem que o mundo caminha para uma destruição iminente? Porque não atentaram para a avaliação que Deus fez da Sua obra.

A criação não é um rascunho. Ela é a obra-prima de Deus.

De acordo com a narrativa de Gênesis, a cada etapa da criação, Deus avaliava Sua obra. Depois de avaliar como boas todas as coisas que criara, Deus emitiu a avaliação final: “Viu Deus tudo o que tinha feito, e que era MUITO BOM” (Gn.1:31). Podemos substituir o “muito bom” por “excelente”. Foi essa a nota que o Criador deu ao conjunto de Sua obra.

Quem insiste com a idéia de que Deus vai destruir este Universo, para criar um melhor, incorre no erro de achar que Deus possa superar a Si mesmo. As Escrituras não dizem que Deus pretende fazer tudo de novo, e sim que Ele fará novas todas as coisas. “Tudo novo” não significa “tudo de novo”. Não se trata de uma nova criação que emirja do nada, mas de uma renovação de todas as coisas. Por isso, podemos afirmar que Deus é o autor da reciclagem. Ele não vai descartar Sua obra, mas reciclá-la por completo.

Nosso Universo não é um laboratório, e tampouco somos cobaias de um deus ainda em formação acadêmica. Ele não está ensaiando a peça, mas a está encenando. Nosso Universo não é um ensaio, é o espetáculo.

Este mundo não é uma experiência, nem uma obra inacabada. “Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados” (Gn.2:1). O gênero humano foi, por assim dizer, a pincelada final da criação.

E a criação tem um propósito específico. Ela não é um acidente cósmico, e nem surgiu espontaneamente. “Tudo foi criado por ele e para ele” (Cl.1:16b). Por isso Jesus é introduzido em Apocalipse como o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o ponto de partida e a linha de chegada de toda a criação. Tudo converge n’Ele!

Ninguém consegue montar um quebra-cabeça, sem ter um modelo com a imagem que se quer alcançar. Cristo é “a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Cl.1:15). Ele é a imagem que emerge do mosaico da criação.

Ele é o protótipo, o modelo usado por Deus para criar tudo o que há. Por isso se diz que Ele é o princípio da criação. Ele é a imagem que Deus vê refletida em um Universo que Lhe serve de espelho.

Em Cristo, todas as peças do quebra-cabeça da criação se encaixam perfeitamente. Através d’Ele a criação pode refletir a glória do Seu Criador. N’Ele, o Deus invisível revela o Seu rosto. Nas palavras de Paulo, “os atributos invisíveis de Deus, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que foram criadas” (Rm.1:20a). Tudo fica muito nítido e claro, quando miramos a criação devidamente conectada em Cristo. N’Ele tudo se harmoniza perfeitamente.

Se Deus é o Autor da peça, Cristo é o Protagonista, a Criação é o cenário, o Espírito Santo é o Holofote, e nós somos a platéia.

Retirado do “Site” www.genizahvirtual.com

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Iluminações de Galileu e dos Mágos

Hoje, 7 de Janeiro, celebra o 400 centenário do salto científico dado por Galileu no registo dos satélites de Júpiter, iniciando assim uma nova abordagem cientifica, que se emancipou.

Também nesta data, o mundo cristão ortodoxo celebra o Natal, com a chegada dos magos para adorar o Rei Messias, nascido em Belém, Jesus.
A Igreja Ortodoxa, fá-lo, seguindo o calendário Juliano, o que, é interessante, pois apesar da diferença dos dois calendários, não colocam assim tão distante o nascimento do Salvador.

Ambos os casos - galileu e a visita dos magos - são claramente actos de iluminação que, trouxeram progressos inegáveis à humanidade. Uns, no campo científico, outros no campo do "Ser", do homem perdido, desgarrado, sem conhecer o seu Salvador.

Registo a coincidência das datas, apesar de distanciadas por séculos, ambas trouxeram clarividência a quem soube observar e tirar conclusões objectivas sobre o que via.

Hoje precisamos, tal como nas efemérides, saber distinguir o supérfluo do essencial. Saber fazer a distinção entre o que é importante e o que não merece sequer consideração ou desperdício de tempo e energias.
Esta "dissecação" fará a diferença entre; viver no tempo e para o tempo, em vez de desajustados inadaptados - como tal inoperantes - acumulando frustrações não processadas que resultam em desajuste total.

Os mágicos, seguiram uma estrela (alinhamento de planetas) que os levou a sair do seu conforto e partir para o desconhecido. Não eram 3, muito menos Reis, nem sequer vinham de lugares diferentes; mas conseguiram na astrologia, tal como Galileu, encontrar a iluminação que os levou a buscar algo que desconheciam, mas criam ser possível encontrar.

O Espírito Santo, prometido por Jesus como nosso guia em toda a verdade, continua a desafiar-nos a sair do lugar de conforto e apático, para a dependência constante da sua direcção e vontade, expressas na revelação bíblica, sem tabus nem preconceitos, para uma dimensão de vida iluminada que nos faz atenticos e relevantes nos dias actuais.

A marca de Galileu para a emancipação da ciência moderna, assim como os magos - talvez de onde menos se esperava, não teólogos, nem religiosos, mas astrólogos - abriram novos horizontes de conhecimento a serem considerados, para o progresso e desenvolvimento da humanidade.

Quando um cristão se predispõe a sair do marasmo quotidiano previsível para o desafio do estabelecido - até nas redes sociais encontramos o comummente aceito - desafiando as frases feitas, as maledicências modernas, as utopias esvaziadas de conteúdo, ou até as revoluções recicladas; para, a iluminação de algo que causa preplecção, como os casos referidos - ambos em palácios - poderemos ser incompreendidos, mas estaremos no bom caminho, naquela iluminação que produzirá mudança profunda, nas vidas reais das pessoas.

Um profeta não é quem denuncia, mas quem aponta um caminho a seguir. Vê o que está errado, desajustado, mal realizado, incompleto, e, revela o caminho a seguir, a solução a aplicar ou pelo menos como sair da apatia e indiferença instaladas.

Galileu, ofereceu uma nova metodologia do conhecimento, os mágicos do oriente adoraram o salvador no meio da indiferença do povo da aliança perante o seu Messias e Salvador.

Os que adquirem iluminação num determinado tempo - mesmo que incompreendidos e rejeitados - deixam um legado que é seguido nas gerações seguintes.

Bem-haja

João Pedro Robalo

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Porque Festejo o Natal!

Sempre que nos aproxima-mos desta quadra, surgem as teorias de conspiração sobre tudo o que rodeiam as celebrações, os símbolos que a identificam e como foi construída toda a festa ao redor da celebração.
A data escolhida colhe a maioria das criticas, além da comercialização ao redor da festa, assim como a perda do significado do natal, ao ponto de haver quem acuse de celebrar o "aniversário" de Jesus, como se fosse isso que estivesse em causa.

Escrevo esta pequena reflexão, porque é da parte da nossa área cristã, de onde surgem as criticas mais ferozes e injustas à celebração do Natal.

Não posso deixar de concordar que alguma parte da mensagem principal do Natal, perdeu-se; melhor dizendo, esbateu-se perante outras figuras e símbolos comerciais, que o interesse económico impôs.
No, entanto, não são os exageros ou erros que me farão desviar da responsabilidade cristã em festejar uma das mais importantes datas do cristianismo.

A ÁRVORE
Uma das criticas que mais surge, o uso da árvore da natal como símbolo, atrai uma parafernália de suspeições e disparates.
Não vou discutir a possibilidade de origens pagãs que alguns invocam, não que consigam relacionar com o nosso uso do pinheiro de natal, mas relembrar que, segundo a tradição, foi o gigante da reforma Martinho Lutero que, pela primeira vez trouxe para o seu lar um ramo de abeto o enfeitou com velas e papeis coloridos para celebrar em família a data do nascimento de Jesus.
Se conseguirem ligar Lutero a qualquer prática de paganismo ou idolatria, então talvez possamos olhar para o pinheiro de natal desse prisma.
Claro está que para alguns Lutero foi apenas um sujeito que deu uma "mãozinha" para nos emanciparmos do catolicismo doentio em que a cristandade havia caído.

Para reforçar, convido os meus amigos estudiosos da Bíblia, a verificarem quantos encontros com seres celestiais os patriarcas tiveram debaixo de árvores, onde em alguns casos assumiam um significado simbólico de lugar de adoração do verdadeiro Deus.
Como vêem, não precisamos ir às práticas pagãs para encontrar similaridade em alguns símbolos que hoje adoptamos.

OS PRESENTES
A troca de presentes, para alguns, também tem origem em todas as religiões pagãs, menos na Bíblia. Dá vontade perguntar se quem afirma tal lê as Sagradas Escrituras.
Não me vou refugiar no facto dos mágicos vindos do oriente o fazerem - não eram três, nem Reis e não surgiram na noite do nascimento do Salvador - mas oferecer presentes e troca simultânea, era uma prática judaica em certas festividades, as quais ainda hoje algumas delas são mantidas.
Esdras e Neemias incentivaram o povo que se encontrava em lágrimas e profunda comoção, para celebrarem o dia do Senhor com alegria e festa, enviando porções a quem não tinha nada para o fazer.

Se acham hipócrita esta reciprocidade egoísta de troca de presentes - por vezes é - está nas mãos de cada um a oportunidade de fazer diferente. Envie algo a quem nada tem, convide alguém para se juntar a si, construa algo diferente neste natal.

A DATA
A data é talvez o aspecto mais controverso a respeito do nascimento de Jesus. Aprendi desde cedo que esta não seria a data mais apropriada para o fazer, porque seria impossível Jesus ter nascido neste período do ano. (Os pastores estavam no campo, que inviabilizaria a possibilidade de Dezembro)
Não posso garantir que a escolha da data seja inocente, mas não pelas causas que alguns advogam.
Temos uma prática cristã bem enraizada de tomar datas, lugares e símbolos de religiões e cultos pagãos, não para sincretismo, mas demonstrar a superioridade do Deus que adoravam.

Acontece que, de onde menos se esperava surgem agora dados que podem oferecer à data possibilidade verosímil.
O professor S. Talmon da Universidade de Jerusalém, baseado em documentos encontrados em Qumran, conseguiu precisar as 24 ordens cronológicas das classes sacerdotais.
A de Abias é que nos interessa, porque com esta ajuda sabemos que o pai de João Baptista, Zacarias, terá servido no templo entre 23 a 25 de Setembro.
Este anuncio da concepção de Isabel que, de acordo com o Evg. de Lucas, nos oferece a precisão cronológica difereniada em seis meses em relação à concepção de Maria, o que aponta o nascimento de Jesus para o mês de Dezembro.

CELEBRAR O NATAL
Seguindo o significado etimológico da palavra natal temos o que celebramos nesta data: O nascimento do Salvador.
Não é um aniversário, mas a celebração da vinda à terra em forma milagrosa e única - como Kaesman refere; irrepetível - do Verbo que encarnou, para nos salvar.

Deus não podia deixar que este evento fosse deixado ao acaso, por isso, os anjos - em número elevado - visitam os pastores e os convidam a juntar-se aos pais jovens naquela noite.
Não sei se isto lhe é relevante, mas Deus organizar esta festa e alarido, não foi de certo um equívoco ou inocente.
A mim é suficiente para escolher alguma data do ano e lembrar que, em dado momento crucial da História o céu invadiu a terra, ainda que de forma frágil e humilde, alterando para sempre o curso da mesma.

"Glória a Deus nas maiores alturas, paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem" Lc.2.14

Posso celebrar o nascimento de Jesus em qualquer altura do ano, mas se à tradição juntar a possibilidade de ser no momento certo, ainda melhor.
Celebrar o natal é celebrar a boa vontade divina que resulta em esperança para a humanidade.


Que me desculpem todos os detractores da festa do natal - aqueles que tentam desvalorizar esta celebração universal, ou os que despem de sentido o significado do mesmo com consumismos descontrolados - mas neste natal, ainda por cima à espera de mais um membro para a família, vou festejar com alegria e com toda a gratidão pela dádiva de Deus ao mundo.

Continuo, e continuarei a celebrar esta quadra com consciência do seu real e verdadeiro valor: A salvação chegou até nós, "porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu..." Is.9.6

Bem-haja

João Pedro Robalo

sábado, 5 de dezembro de 2009

O Clima, o Aquecimento Global e a Terra.

O tema aquecimento global que, será debatido estes dias em Copenhaga, Dinamarca, pelos principais líderes mundiais; surge, como um dos principais problemas que qualquer cidadão do mundo considera como preocupante e fulcral para o futuro da humanidade.

Apesar do que é referido na comunicação social, ensinado nas escolas e defendido pelas organizações ecologistas, a verdade é que, a comunidade cientifica não consegue chegar a uma conclusão; principalmente em dois pontos essências: Se o aquecimento é realmente global e se isso se deve à acção humana.

Sei que esta perspectiva causará um coro de protestos, mas não sei se o será por boa informação, ou por intoxicação da comunicação social. Não tenho qualquer dúvida que há uma "agenda" que os "Mídia" desenvolvem, por isso o que escutamos nem sempre é tão livre nem sequer ingénuo.
Não pretendo discutir aqui esta diferença de perspectivas que dividem a comunidade cientifica, remeto-vos para um bom artigo do Pr. Mal Fletcher (www.nextwaveonline.com/comment.asp?ID=265)

A minha abordagem é teológica e sobre tudo escatológicamente confiante.
Apesar de o homem ser irresponsável em muitos aspectos, sei que a Terra não lhe foi entregue, nem tem capacidade para decidir ou determinar o futuro deste planeta.

"A Terra é do Senhor..." Dt.10.14; Sl.24.1; 1ªCo.10.26
É teologicamente errado, ensinar que, pela queda de Adão a terra foi entregue ao diabo, o que se revela uma impossibilidade, pois Deus nunca a havia entregue ao homem.
A única coisa que o diabo adquiriu foi o domínio que, pelo pecado o homem transferiu para Satanás essa função, mas, a qual, o último Adão (Cristo), através da cruz recuperou essa autoridade perdida, para a exercer como Cabeça da igreja em domínio na sua posição à direita de Deus.

Outro aspecto importante de uma escatologia confiante, é a consciência da responsabilidade ecológica que os cristãos têm no mundo, para uma restauração completa de tudo, que é também uma expectativa da própria criação. (Rm.8.21)
Não só nos é restituída a condição de comunhão plena com Deus, tal como tínhamos no Jardim do Éden, como nos é oferecido em Cristo a possibilidade de domínio sobre a criação, não para a sua destruição, mas preservação e restauração. Sl.37.11 "Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na sua abundância de paz"

A minha abordagem a este assunto ecológico e de sobrevivência, não é científico, racionalista ou humanista, mas teológico. É crer em esperança contra a esperança; aquilo que vulgarmente chamamos fé, aquela que o nosso pai Abraão teve e devemos imitar.

Sei que o homem é egoísta, avarento, ambicioso de forma desmedida, etc., mas, também sei, e creio, na providência divina, na garantia Deus não se demitir da sua função de preservar e cuidar da criação estabelecida, do seu domínio que se estende de geração em geração e principalmente cuidar da sua obra mais importante, a terra, onde foi executado o plano restaurador de todas as coisas que conhecemos e desconhecemos através da encarnação do Verbo, da sua morte expiatória e da sua ressurreição que estabelece o vínculo da vitória.

O plano de Deus, não passa pela destruição do planeta terra, mas pela sua preservação e restauração - aliás se o contrário acontecesse a sua vitória sobre Satanás não seria completa.

Como cristãos devemos estar na linha da frente na preservação, conservação e respeito ecológico, num desenvolvimento sustentado, pois, somos apenas mordomos, não donos, da maravilha da criação divina; o planeta terra. Aliás uma das minhas canções preferidas é: "What a Wonderful World" de Louis Armstrong.

A minha perspectiva perante o futuro é de confiança, não tanto pelo que o homem pode ou não fazer, mas porque Deus não permitirá que entremos num descalabro descontrolável de destruição planetária.
Com isto, não deixo de responsabilizar e pressionar quem exerce poder para tomar decisões politico-económicas sustentadas na preservação do nosso mundo.

Como cristão faço a minha parte, quer tendo comportamentos ecológicos, quer confiando em Deus para o futuro deste belo planeta.

Bem-haja

João Pedro

sábado, 7 de novembro de 2009

A Figura do Anticristo

Esta semana a República Checa, assinou o Tratado de Lisboa, que abre caminho para a implementação do mesmo, que origina, entre outras novidades, a criação de uma nova figura; o Ministro dos Negócios Estrangeiros da UE.

Com a criação desta figura, por enquanto sem personagem definida, apesar dos "jogos" de bastidores que já se perfilam, vamos de certo, assistir a uma clivagem, ou, pelo menos, derivação das tentativas falhadas em apontar uma figura pública com a terrível personagem bíblica do anticristo.

Até aqui, ainda na ressaca da perda das últimas eleições, muitos apontaram o novo Presidente dos EUA, Barack Obama, como a tal figura mítica.
Os artigos, vídeos, pregações e comentários - pobres de conteúdo, e falaciosos na Hermenêutica - encheram a Internet, Sites, Blogs, comunicação social religiosa, etc.

Com o surgimento deste cargo - que será uma aventura europeia - ainda sem contornos bem definidos, a tendência será para procurar, vasculhar e "dissecar" até à exaustão, todos os "sinais" ou semelhanças que o candidato apresentar, em relação a uma figura composta que, erradamente alguns sectores do cristianismo evangélico, continuam a tentar construir e sobretudo aguardam.

Esta postura que tem perseguido o pensamento e "práxis" cristãs, ao longo de décadas e demasiadas gerações, revela uma pobreza de conteúdo teológico, que acaba com esta triste realidade de ver uma igreja a aguardar uma figura inventada - o anticristo - em vez de esperar, isso sim, o Senhor que um dia virá para governar e completar a História.

Antevendo o espectáculo que se vai montar, proponho uma leitura simples e clara da Bíblia. Temos defendido tanto a Revelação escrita do Deus Judaico-cristão, ao ataque que Saramago encetou, que, apenas proponho uma simples leitura dos textos que falam desta figura que tem assustado tantos ao longo dos tempos.

Não coloco aqui os versículos exactos que nomeiam este substantivo: O anticristo.
Mas, como os únicos textos que falam desta personagem apenas surgem nas cartas do Apóstolo João, qualquer um de nós poderá fazer uma leitura rápida, contextualizada e sem pressuposto errados em poucos minutos.

Se nos cingirmos ao texto do Apóstolo, várias conclusões são possíveis que oferecem uma clarificação objectiva e clara sobre esta figura tão erradamente temida.

Uma exegese minimamente credível, consegue chegar a algumas conclusões objectivas:

1º Não é um, mas muitos anticristos.

2º Não é apontado para um futuro longincuo, mas era uma realidade presente nos dias do Apóstolo.

3º Estavam relacionados com a igreja, e, por razões várias apostaram na fé.

4º Não é uma figura personificada, mas um espírito do erro que domina pessoas em verdades fundamentais da fé cristã.

5º Uma doutrina do erro que nega a essência da cristandade e da revelação de Deus na História, negando, a encarnação de Jesus como o Cristo; o Messias prometido que veio salvar a humanidade reconciliando-a com o Pai.

Se não se procurar criar uma figura composta, com outros textos bíblicos que não usam o termo "anticristo", são estas as conclusões que se podem tirar, sem qualquer dificuldade nem sofismas.

A Bíblia, como palavra de Deus, merece que não vamos além do texto, nem fiquemos aquém, apenas, que se deixe falar o que o próprio por si próprio.

A Bíblia continua a falar, mesmo quando os ataques vêm de fora, como de dentro, aliás, são mais prejudicais as más interpretações e imaginações teologicamente infundadas, que os ataques que os ateus ou mesmo pseudo-ateus fazem às Escrituras.

Uma igreja que se distrai com inimigos fantasmas, perde eficácia, relevância e importância na sua missão principal: Fazer discípulos de todas as nações.

Não estou à espera de um anticristo qualquer, mas do verdadeiro que se deve esperar. O Cristo!

2ªTm.4.8 "Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas a todos os que amarem a sua vinda"

Eu amo e aguardo a Sua vinda, não a de outra figura qualquer.

Bem-haja

domingo, 25 de outubro de 2009

As Escolhas de Deus

Com toda a polémica que o escritor prémio Nobel da Literatura, José Saramago, suscitou à volta da Bíblia e do Deus que ela revela, muitos comentários, alguns aceitáveis, outros sem qualquer justificação, foram feitos.

Não ando ao sabor de agendas alheias sobre os temas a trazer à igreja na Figueira da Foz, mas também não estou alheado de tudo o que tem surgido ao redor, muito menos o que se insere no âmbito bíblico-cristão.

Não posso deixar de fornecer aos cristãos que estou responsável, as respostas - quando as tenho - sobre os temas problemáticos ou fracturantes que são levantados no quotidiano.
Este tema que José Saramago levantou - Caim e a escolha feita por Deus na oferta que os dois irmãos apresentaram - não pode ser ignorado pela comunidade cristã, muito menos reactivos de forma militante, mas, o esclarecimento, e sobretudo, deixar a Bíblia fornecer as respostas, deve ser a nossa postura coerente com as "provocações" que foram feitas.

Na sexta falei do relato que o autor se baseou, Génesis 4, mas enriquecido com todo os comentários que a Bíblia fornece. Não há um preferência divina tendenciosa sem uma causa.

No domingo, falei das escolhas de Deus. Estão mais nas nossas mãos, do que imaginamos, as causas e os factores que levam Deus a direccionar a sua atenção sobre nós.

Fé, voluntariedade e amizade; são características que devem existir em nós.
Deus não busca super-homens, mas pessoas que em situações de crise revelem fé, atitude voluntária e sobretudo amizade que gera confiança.

Consultem a nossa página na Internet: www.figueiraccva.org, para o desenvolvimento do assunto.

Bem-haja

João Pedro Robalo

sábado, 10 de outubro de 2009

O Prémio Nobel Da Paz

Tem causado alguma perplexidade e assombro a atribuição do prémio Nobel da Paz ao presidente dos EUA Obama.

Também eu fui apanhado de surpresa e considero que haja alguma precipitação nesta atribuição pelo júri do prémio.
No, entanto, os argumentos e preconceitos generalizados deixam no ar que, é possível, ainda não ter sido digerido ou ultrapassado o choque pela eleição de um Afro-americano para o mais alto cargo dos EUA.

Uns optam por considerar que é prematuro por ainda nada ter sido feito pelo actual presidente americano, mas, uma rápida observação geopolítica, pode-se verificar que, estamos perante um novo tempo no diálogo diplomático, perante uma nova possibilidade de desarmamento nuclear e que se lida com coragem e frontalidade com a questão mais sensível da geopolítica: O caso Israel-palestiniano.

Este é um aspecto em que nos cristãos, principalmente os evangélicos neo-pentecostais, assumem uma papel fundamentalista - tão criticado quando perpetrado pelo outro lado da trincheira - que só demonstra que, ainda não venceram um dos problemas que Tiago na sua carta apontou, como influencia diabólica e destrutiva da essência cristã: O sentimento faccioso! «Tg.3.14-16»

Este assunto leva-nos para outra questão, que me parece ser a causa da má vontade que os comentários "evangélicos" têm sido pródigos - tenho ouvido dos mais variados disparates, que me escuso comentar.
Se achamos, e bem que, Ahmadinejad tem um discurso fundamentalista, negando o Holocausto e fomentando o ódio contra os judeus; não podemos aceitar que os cristãos possuam um discurso inverso - em termos de trincheira - mas idêntico, ao achar que, a solução é exterminar ou expulsar os palestinianos da sua terra.

Aquela terra em termos Bíblicos, históricos, sócio-antropológicos e legais, não é de um dos povos em detrimento do outro.
Sei que estou acorrer um risco, porque na noção evangélica do conflito, qualquer "bom cristão" é do lado dos judeus e anti-palestiniano. É em certo sentido o ressurgimento do conceito do "eixo-do-mal".

A paz mundial - na minha perspectiva - passa pela expansão do reino de Deus; "justiça, paz e alegria no Espírito Santo" mas, para além deste pressuposto do cumprimento da missão da igreja na terra; considero que, em termos geo-políticos e estratégicos, o conflito Israel-Palestino é fundamental para o apaziguar de muitos conflitos culturais no Globo.

Considero por isso, que, Obama ao chamar à atenção o governo israelita, para alterar a sua política de expansão territorial, principalmente os colonatos da Cis-Jordânia e Faixa de Gaza, contribui para apaziguar em vez de acicatar ódios e muros tão enraizados entre estes dois povos.

Esta postura não lhe tira qualquer legitimidade para usar o poder e a força que possui, quando os abusos são cometidos de qualquer parte.
A paz não se constrói só com boas intenções, a força, quando necessária e justa, pode e deve ser empregada, para o bem comum.

Há uma distinção clara entre ser um pacificador e um pacifista. Jesus, chamou-nos a sermos pacificadores.
Os cristãos deviam incentivar todo o discurso político e acções pacificadores que promovam igualdade entre os povos e que diminuam as assimetrias sócio-económicas, bem como os direitos humanos, para a promoção de uma mundo mais justo, pacífico e com melhor qualidade de vida.

Também posso considerar prematuro a atribuição do prémio, mas não me choca, como vi entre muitos cristãos evangélicos, alguns perderam mesmo a cabeça nos comentários que fizeram.

Como a Bíblia ensina, oro pela paz em Jerusalém e também na Babilónia.

Bem-haja

João Pedro Robalo

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Integração dos Emigrantes

Portugal foi premiado pela ONU, como o país que melhor adaptou as leis para a integração de emigrantes na nossa terra natal.

Claro está que, a experiência no terreno revelará que nem tudo vai bem, nem sempre os empresários portugueses seguem este bom exemplo, aproveitando-se da fragilidade e ilegalidade a que alguns se encontram.

Esta notícia enche-me de orgulho em ser português.
Quando à poucos dias na campanha eleitoral alguns partidos usaram o fantasma da emigração - o perigo de roubar os empregos e recursos em detrimento dos nacionais - como um perigo a combater, e, com isso conseguir mais alguns votos; foi com tristeza que ouvi cristãos defender posições idênticas. Apenas lamentável.

Que a demagogia dos actores políticos seja lamentável, mas normal, ainda aceito, mas ouvir - como sucedeu - cristãos usarem o mesmo argumento para manifestar a sua posição politico-partidária, defendendo que os problemas nacionais, quer nos aspecto criminal, social e económico, são causados pela integração dos fluxos migratórios que Portugal também faz parte, é falta de cultura bíblica e desconhecimento do grande amor divino para com todos.

Deus deixou advertências muito sérias ao povo da 1ª Aliança sobre a importância no tratamento dos estrangeiros, até porque, afinal, essa era uma realidade conhecida deles.
Ex.23.9 "Não oprimirás o estrangeiro; vós conheceis o estrangeiro, porque foste estrangeiros no Egipto."

Não só estavam impedidos de qualquer tipo de opressão ou aproveitamento da situação fragilizada que os emigrantes entre eles se encontravam, como deviam expressar amor e aceitação, melhor dizendo, integração.
Lv.19.34 "Como o natural entre vós será o estrangeiro que peregrina convosco. Amá-lo-eis como a vós mesmos, pois foste estrangeiros no Egipto. Eu sou o Senhor vosso Deus."

Há uma clara obrigatoriedade humanista e ética cristã, para providenciar todo o apoio e condições para os que desejam fazer desta nação e povo a sua oportunidade de recomeço da vida.

O amor cristão que faz a diferença neste mundo, não se deixa influenciar pela demagogia xenófoba que dá votos e popularidade a alguns políticos da nossa praça.
Sabemos diferenciar o trigo do joio, entre os que abusam da nossa afabilidade e os que se integram.

Uma nação com valores cristãos, sabe receber, integrar e dar oportunidade aos que decidem - pelas mais variadas razões - fazer desta nação a sua nova casa.

Bem-haja

João Pedro Robalo

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Mães de Oração

Ao ler "As Confissões" de St. Agostinho, deparo com a afirmação atribuída ao Bispo de Cartago: "Vai em paz e continua a viver assim, porque é impossível que pereça o filho de tantas lágrimas."

Com este consolo, Mónica, a mãe de Agostinho, partiu para a sua continua tarefa de orar e sempre alertar o seu filho, para que, a situação dramática em que se encontrava, sofresse uma alteração profunda, o que, veio a suceder, como o próprio confessou.

Mães precisam-se, mas, das que, com fé, oração e dedicação; tudo fazem para contribuir de forma construtiva, para que os seus filhos de alguma maneira, no trajecto da vida, encontrem o propósito eterno pelo qual nasceram e existem.

Muitas vezes com amargura e dor, encontramos mães, sem saber o que fazer, e, como lidar com a rebeldia, incorrecção ou desfoque, em que os filhos se encontram.
Se não houver fé, se não existir esperança, nem qualquer âncora de segurança; qualquer mãe entra em agonia e desespero, perante as situações que todos os filhos em algum momento do seu caminho se envolvem.

Hoje, as mães, contentam-se com a satisfação materialista dos filhos, na base dos bens, imagem e condições para que tenham uma vida facilitada em todos os sentidos.
Contribuir para que os filhos possuam bens que os promovam socialmente, que frequentem os melhores meios para serem bem sucedidos e que, nada lhes falte para serem reconhecidos como actuais e modernos; é tudo, o que os progenitores e educadores consideram ser responsabilidade sua.

Mais que uma prestação de serviços parental, hoje, mães que oram, choram diante de Deus e ensinam os princípios cristãos, são necessárias.
Ana, a mãe de Samuel, com amargura do seu coração, encontrou no tabernáculo e no Sacerdote Éli, as palavras e o consolo que resultaram no milagre desejado.

Para as mães, que por alguma razão se encontram numa situação preocupante ou aflitiva, saibam que as vossas lágrimas derramadas diante de Deus, encontram eco e resposta para solucionar o que parece impossível humanamente.

Os filhos, de mães cristãs, mesmo não sabendo, são privilegiados, porque para além do amor materno natural, a fé e lágrimas derramadas, são ouvidas por quem dirige todas as coisas, e, que consegue concertar tudo: Deus!

Esperança e confiança, são o que caracterizam as mães cristãs na sua plena certeza que, os seus filhos não são gerados para a perdição, mas para cumprirem o propósito traçado por Deus.

Tenhamos fé, mesmo quando as lágrimas são a realidade do dia a dia; a oração que se sente é escutada, e, tal como o Bispo de Cartago disse: É impossível não ser respondida.

Bem-hajam

João Pedro Robalo

Nota: A minha referência ás mães, deve-se ao relato referido por St. Agostinho, porque considero, como é óbvio, que esta responsabilidade é mútua do casal, não só de um dos cônjuges.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O Legado de Gideão

Esta figura Bíblica, nomeada entre os heróis da fé, Gideão, oferece-nos algumas características para lidar e vencer crises que, tal como ele enfrentou, hoje, nós estamos a passar por situações que tem características idênticas.

Por exemplo: A economia estava de rastos, os midianitas pelo poder militar que possuíam, usurpavam todo o esforço laboral do povo hebraico.
Quando o povo clama a Deus no meio desta situação, Deus envia-lhes um profeta que lhes explica a causa da situação em que se encontram. Jz.6.10 "...Mas não deste ouvidos à minha voz."

É perante esta situação que surge a figura Gideão; o Anjo do Senhor encontra-o a resistir contra a situação catastrófica numa atitude inconformada, a tentar manter o fruto do seu trabalho contra as investidas dos inimigos.

A voz profética havia surgido na nação para mostrar a causa dos problemas em que se encontravam, agora, era necessário fazer algo que os tirasse do fosso em que se encontravam.

Como? Normalmente o esperado seria uma estratégia e plano para sair da crise; esta é a postura que todos desejam e costumam ter.
Deus não age assim, porque não deseja apenas fazer sair da crise, mas capacitar-nos para vivermos de forma superior a qualquer crise que surja.

Por esta razão Deus começa a tratar coma pessoa; o Gideão, o homem que tem receios, péssima auto-imagem e sobretudo muitas dúvidas, daí os sinais pedidos.
Convém realçar que o apelo tão actual a sinais como o fez Gideão, não é um acto de fé nem uma elevação espiritual, antes pelo contrário, é uma assumpção de fraqueza e perda do hábito natural de ouvir e conhecer a voz de Deus.

Todo o capítulo 6 de Juízes mostra Deus a tratar com uma pessoa valorosa, cheia de potencialidade, um líder nato, mas que devido à situação espiritual em que o povo se encontra, Deus é apenas uma memória distante e recordação dos grandes actos divinos do passado.

Não se pode vencer crises sem deixar que o Espírito Santo trate connosco.
Na verdade as crises, são a consequência da crise interna em que as pessoas se encontram espiritual e humanamente.

Só assim se compreende que Gideão tivesse em sua casa um santuário as dois deuses mais devastadores e desumanos da história daquela região.

Crises vencem-se colocando em ordem a nossa relação com Deus e removendo com tudo o que impede a boa sintonia nesta relação.
Quando estamos bem com Deus e connosco próprios - para mim uma coisa garante a outra - temos as ferramentas, meios, estratégias e capacidade para vencer qualquer crise.

Bem-haja

João Pedro Robalo

P.S. Para mais informação consulte o nosso "site" www.figueiraccva.org

sábado, 19 de setembro de 2009

Os Milagres não se Compram!

Hoje o cristianismo de pendor evangélico está a ser assaltado por oportunistas que trazem uma carga mercantilista para o seu seio.
Entre pequenos grupos, mas tristemente também entre grandes nomes e igrejas, o factor financeiro pesa e tornou-se o tema principal das mensagens e teologia que os caracteriza.

A ideia que, o milagre ou a bênção divinas se podem comprar, tornou-se comum e aceitável por muitos no seu seio, como algo normal, onde já não há qualquer pudor em se afirmar que tudo depende da nossa oferta, normalmente canalizada para projectos pessoais megalómanos.

É comum ouvir-se dizer: Mesmo que não tenha nada para dar, venha receber o seu milagre.
Os que afirmam isto fazem-no como pessoas misericordiosas, como se fosse um favor que prestam aos desfavorecidos.
O normal é "pagar" para receber o milagre, mas como são pessoas benevolentes e caridosas, abrem uma excepção final, para os que não podem dar nada devido à condição precária que atravessam. O problema é que aos ouvidos da maioria isto tornou-se banal.

Jesus, ao inverso deste ensino actual, não condicionou a cura às questões financeiras, mas à misericórdia e fé.
Em Mt.8.1-4 "Veio um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. Jesus estendeu a mão, e o tocou, dizendo: Quero, sê limpo! E imediatamente ficou limpo da lepra. Disse-lhe então Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote e apresenta a oferta que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho." (Almeida Edição Contemporânea)

Após curar este leproso, Jesus ordenou-lhe, entre outras coisas, que fosse apresentar a oferta ordenada por Moisés (lei) para lhes servir de testemunho.

Esta ordem inversa, de acordo com os padrões actuais, mostra onde se insere a nossa oferta; não é um "negócio" ou "compra" de milagre, mas um testemunho pessoal da gratidão a Deus pelo milagre que fomos alvo.
A misericórdia divina atingiu-nos e pela fé fomos capazes de crer para a receber.

Não é a antecipação da oferta - como se fosse isso que movesse o coração e vontade divinas - que faz o milagre acontecer, mas será sempre um acto da misericórdia divina que, responde à fé depositada na palavra e promessas de Deus.

Ainda creio em milagres, Deus não entrou em crise nem perdeu a sua capacidade sobrenatural, mas não posso conformar-me com todo o "mercantilismo piedoso" à volta da miséria e necessidade que muitas pessoas se encontram.

A nossa oferta - os cristãos são pessoas que ofertam em gratidão e o fazem com generosidade - é um testemunho da graça e misericórdia divinas na nossa vida.
Essa foi a ordem de Jesus, não houve qualquer impedimento à cura por não ter sido ofertado nada antecipadamente, mas servia de testemunho que, algo tinha acontecido e poderia ser comprovado por todos.

Alguns arrogam-se de fazer "mover" Deus por causa da sua oferta, mas na Bíblia sempre a ordem é inversa: Não somos nós que damos o que quer que seja em primeiro lugar, mas apenas devolvemos a Deus o que já recebemos em abundância d'Ele.

Nunca seremos capazes de dar o que quer que seja a Deus; Ele é que nos dá tudo, nós apenas devolvemos parte, como sinal de testemunho e gratidão ao nosso providenciador da vida.

A minha oferta será sempre um testemunho e acto de gratidão da bondade, misericórdia e graça de Deus na minha vida.

Deus vos abençoe

João Pedro Robalo

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A Ética e a Moral

Estamos em plena campanha eleitoral para a eleição do novo parlamento para os próximos 4 anos.
Tenho lido e ouvido alguns comentários no meio evangélico sobre a possibilidade ou não de se tomar posições públicas a favor de uns em detrimento de outros.

Entre muitos comentários ressaltam algumas posições que desejam colar os cristãos às políticas de pendor moral em detrimento de outras.
O aborto, casamento entre homossexuais, laicismo, uso de células estaminais, etc. surgem como as bandeiras que pretendem condicionar a orientação do sufrágio entre os cristãos.

Ao ler a Bíblia, encontro uma maior preocupação do Autor que inspira os textos nas questões éticas - os aspectos sociais são fundamentais para Deus - que apenas nos aspectos morais.
Atenção, com isto não desvalorizo a importância do carácter cristão na sua luta Titânica contra o pecado; somos, e sempre seremos contra toda a manifestação do mal que procura humanizar actos que são hediondos e condenáveis, na qual, o aborto entre outros, se insere.

O que me incomoda é a mensagem que alguns cristãos evangélicos - principalmente líderes - querem fazer passar para condicionar o voto livre e consciente dos crentes.
Dizem eles que não se pode votar em políticas que são moralmente erradas mas, subtilmente, apelam ao voto em grupos que desvalorizam os aspectos sociais - éticos para mim - como algo subalterno ou inferior.

Para Deus este não é um assunto menos importante, aliás, foi a falha neste aspecto que condenou a nação da aliança - Israel - na sua missão, ao não cuidar dos órfãos, viúvas, estrangeiros e desfavorecidos, perderam a sua posição privilegiada diante do Senhor.
Aconselho a leitura, entre outras, as passagens: Ex.22.21-23; Lv.19.10 e seguintes; 23.22 e como a igreja neo-testamentária seguiu o mesmo padrão; Gl.2.9-10.

Não encontro na teologia bíblica uma desvalorização dos aspectos éticos em relação aos morais, antes pelo contrário, uns, os morais merecem uma reflexão pessoal constante, enquanto os outros, os éticos, são de carácter público e sobre os quais a igreja tem uma responsabilidade social de dar a resposta que a humanidade precisa; cuidar dos desfavorecidos.

Sl.140.12 "Sei que o Senhor concede justiça ao pobre, e sustenta a causa do necessitado"
Para Deus não me parece haver uma preocupação desmedida das questões morais em relação às éticas, parece-me que o contrário revela mais o paradigma bíblico.

A igreja "evangélica" tem perdido a sua voz e relevância na sociedade, quando tem trocado as prioridades e surge com posições situacionistas e retrógradas que, mais desejam manter tudo na mesma em vez de almejar uma sociedade mais igualitária e equitativa.

Os cristãos estão livres de fazer as suas escolhas partidárias sem qualquer anátema ou condicionalismo devido às questões morais, porque a nossa primeira obrigação bíblica deve-se com aspectos ético-sociais da sociedade onde temos a responsabilidade de ser luz e sal para a construção de uma nova sociedade na terra.

Precisamos mais de respostas éticas oferecidas ao mundo como o fez Dietrich Bonhoeffer, que a triste figura que os pastores americanos oferecem na sua colagem ao conservadorismo por questões morais.

Bem-haja

João Pedro Robalo

sábado, 5 de setembro de 2009

Uma Explicação.

Como sempre deixo o final de verão para tirar alguns dias de descanso, como tal, tenho publicado poucos textos neste espaço.

Espero que compreendam e em breve voltarei para reflectir, criticar, discordar, fazer pensar e sobretudo deixar mensagens de esperança.

Entretanto visitem o "site" da igreja: www.figueiraccva.org

Bem-hajam

João Pedro Robalo